[Vem Comigo] Necron v.1: A fabricante de monstros

Qual é a melhor maneira de lidar com a compulsão sexual por cadáveres? Eu não tenho a menor ideia, mas a dra. Frieda Boher, protagonista de Necron v.1: A fábrica de monstros (TAI, 2019, tradução de Rodrigo Viegas), do autor italiano Magnus, sabe muito bem o que fazer: criar um escravo sexual a partir de partes de diversos outros corpos.

Pra mim, dois elementos se avivam na leitura de Necron: o frankensteinismo e a zoeira.

Quando apoiei o projeto no Catarse (aliás, a campanha do volume 2 está no ar), não sabia muito bem o que viria e o que chegou foi a história em quadrinhos de Necron, ser que é um monstro de Frankenstein, criado com o propósito de ser um dildo ambulante com carnes de mortos, animado por eletricidade. Pensando bem, acho que Necron tá mais pra um vibrador zumbi mesmo.

(Necron não é a primeira criatura depravada dos quadrinhos inspirada no livro de Mary Shelley)

A história se desenvolve pelos caminhos do descontrole de Necron e da investigação do sumiço dos cadáveres. Temos uma história de terror, investigação, ficção científica, pornográfica, tudo junto, amarrada com um bilhetão “não nos leve a sério, pelamor”.

Magnus trabalha a arte em preto e branco, seguindo o manual das proporções e perspectivas, com personagens de formas realistas, ainda que sem muito preenchimento ou detalhamento, o que os deixa leves e faz com que a história editada em um formato pequeno (13,5 x 19 cm) não fique sufocante na leitura. Junta-se a isso a quadrinização do autor com dois quadros por página ou página inteira, o que não deixa nada muito preso ou pequeno e dá uma boa dinâmica de leitura.

Acho brilhante que em Necron o objeto sexual é o homem, e seu gozo não importa, pois não passa de serviçal da gênia que só consegue sentir atração por pessoas mortas. A dra. Baher não só dá vida a Necron, faz toda a trama andar.

A ideia aqui não é mirar longe, não. Magnus está pensando logo ali: uma história absurda, que flerta com uma longa tradição de terror e ficção científica, acrescida de cenas pornográficas. Assim, sabe aquelas obras que tem uma trama e no meio ou tem piadinhas ou momentos de lirismo ou momentos fofos? Aqui é igual, mas tem momentos de muito sexo despudorado.

Não acho indispensável, não deve estar na minha lista do Grampo, mas apoiei o segundo volume no Catarse e vou seguir lendo enquanto a Tai publicar.

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