[Vem Comigo] Lendas do Universo DC: Etrigan – vol. 1

O primeiro de dois encadernados que trazem as primeiras histórias do personagem Etrigan, Lendas do Universo DC: Etrigan vol.1 (Panini, 2018, tradução de Leo “Kitsune” Camargo) traz para o Brasil parte do trabalho de Jack Kirby de forma organizada.

Jack Kirby é um daqueles nomezinhos especiais quando se fala em super-heróis. Junto de Stan Lee, criou a linha de personagens que fariam a Marvel notória; na DC Comics, onde chegou já como o “The King”, criou personagens que se tornaram constituintes do universo ficcional da editora, como a mitologia dos novos deuses, com o maior vilão do universo DC, Darkseid e personagens como o Senhor Milagre – aliás, muito da boa a minissérie dele feita por Tom King e Mitch Gerards, dupla de The Sheriff of Babylon.

Kirby é reconhecido nessa seara dos supers, penso, por dois elementos muito importantes: a dinâmica da narrativa e do desenho nas cenas de ação e a criatividade. Comecemos pela ação, saca a página aqui embaixo.

(não sei como isso tá aí na sua tela, mas, ATENÇÃO, é uma dupla)

Kirby vai ser o rei tanto do dinamismo e da múltiplas ações em uma página de quadrinhos de super-heróis, quanto da abusiva quantidade de elementos de composição da imagem. As figuras têm algo de um medieval punk futurista, em que o feudal e o cósmico se entendem com bocas abertas, olhos arregalados e corpos retorcidos em ação. Perceba que todas essas características vão se tornar maneirismos do desenho de super-heróis, junto dos corpos de sauna ultramusculosos. Mas em Kirby tem uma graça a mais que não vejo nem nos desenhistas competentes de supers.

Quanto à criatividade, ela não está tanto na paginação e quadrinização (Kirby usava formas bastante regulares e que ele sabia funcionarem bem com sua arte), mas nos pressupostos e enredos das histórias. Se os roteiros não trazem em si nada de mais e, várias vezes, se resolvem simplesmente no combate físico, a velocidade de criação do autor é algo inigualável no mercado de supers (inclusive, ele é homenageado justamente por isso em Supremo, de Alan Moore).

Mas vamos dar uma olhada em Etrigan: foi encomendado a Kirby que fizesse uma série de terror mensal e, em poucos dias ele tinha a história de um demonologista, Jason Blood, que carrega dentro de si um demônio invocado por Merlin para tentar impedir a vitória de Morgana Le Fey sobre Camelot. Na mão de um bom roteirista contemporâneo, isso seria o enredo completo das 16 revistas que produziu, e com Kirby se tornam as duas primeiras edições de The Demon, que, nas outras 6 edições compiladas nesse encadernado, seguiram por diversas outras tramas. Ele não tinha problema em usar uma boa ideia agora, porque daqui a pouco ele teria outra.

Vale comentar que The Demon era uma história de aventura super-heroica e não uma revista de terror, mas acho que ninguém da diretoria se importou muito com isso.

Essas histórias, lidas hoje, trazem consigo certo anacronismo, seja na quantidade de texto em cada quadrinho e na redundância entre balão e ação, seja na puerilidade da resolução das tramas, mas, ainda sim, conseguem alguns resultados que poucas histórias de super-herói conseguem. Meu palpite é que ao assumir que se trata de uma história com pulsão juvenil, Kirby consiga colocar uma energia adolescente que pode ser sentida até hoje em seu trabalho.

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