[Prêmio Grampo] Grámphicos!

Todos os anos, tentamos analisar o retrato que as listas do Grampo nos trazem da cena de quadrinhos no Brasil. Gosto de ver como acontece em relação ao ano anterior, para verificar melhor esse recorte.

Quando perguntamos ao Ramon “e aí, vamos de novo?”, eu achava que o ano de 2020 seria perdido para as histórias em quadrinhos. Além da ausência de feiras, a desmoralização geral em que a gente se encontrava iam gerar um desconforto geral em qualquer atividade cultural.

Logo em março, abril, amigos comentavam a dificuldade total para se concentrar em uma leitura que seja. Aqui o trabalho aumentou consideravelmente e se no começo até li alguns romances, acabei emendando fins de semana para realizar trabalho ampliado pelas novas exigências do online no ensino (na universidade onde trabalho, não interrompemos o semestre em nenhum momento, apenas o calendário foi esticado, e em breve inicio o primeiro semestre de 2021, com férias picotadas e inclusive ausentes. Enquanto isso, em outras universidades, começa o ano de 2020).

A média de leituras indicadas nas listas do Grampo se manteve: 78 títulos diferentes; em 2019 tivemos 78, em 2018 foram 79. Só em 2020 chegamos a 87 títulos, porém tivemos 21 jurados, o que pode explicar a alta de indicações. Se a quantidade não variou tanto, a qualidade foi bem diferente: em um ano com pouco acesso direto a autores – e também redução das publicações independentes, pois muitos autores imprimem para vender nas feiras –, tivemos mais indicações de webcomics. Entretanto, houve pouca convergência nesses autores citados: a falta de feiras reduz a coesão (a conversa, a troca, fica mais difusa pelo filtro algorítimico das redes sociais, as bolhas vão ficando mais miúdas). E tudo ficou mais caro, também – assim, as pessoas já filtram o que vão ler na hora de fechar o carrinho de sua comicshop favorita, diferente da compra direta ao autor em bancas das mesmas feiras; ficamos mais distantes de fato. (São minhas hipóteses, a partir do comportamento das listas e dos comentários de amigos e algumas pessoas do júri).

A variedade de editoras continua crescendo. Como disse o Rogério de Campos – em vídeo exibido na live sobre Grampo 2021 –, publicar (livros, mas também tiras, conteúdo criativo em geral) se torna uma forma de resistência. E, mais do que nunca, precisamos de cultura (e de leveza) contra o Horror.

Seguem os gráficos para vocês também experimentarem observar esse instante. E nossos comentários estão lá na live do canal da Ugra.

Considero editora média a partir de 10 publicações ao ano, e editora grande quando ultrapassa 10 publicações sistematicamente. Independente são apenas as autopublicações (apenas um autor ou grupo de autores publicando um único título ou poucos títulos ao ano)
Relação entre títulos brasileiros e estrangeiros também mudou

Publicado por mckamiquase

Maria Clara Ramos Carneiro on ResearchGate https://orcid.org/0000-0003-2332-1109

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