[Vem comigo] Residência Notas & Traços – Bienal de Quadrinhos de Curitiba 2021

Na última semana, foram publicados os resultados da residência artística virtual da Bienal de Quadrinhos de Curitiba Online, que reuniu três quadrinistas e três musicistas para inventarem projetos.

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A Bienal de Quadrinhos de Curitiba estava com a programação prontinha para 2020 quando veio o maldito micróbio. Desde o início do ano já estava programado o tema música e a homenagem a Luiz Gê, curadoria de Fabio Zimbres e Mitie Taketani etc. e coisa e tal. Acabou tudo passando para as lives – Lielson e eu mediamos algumas mesas, e foi divertido também acompanhar pelo chat ao vivo do Youtube os amigos distantes (coisa que hoje virou até banal, mas ainda assim um paliativo possível nesses anos inglórios). Até o lançamento da esperada exposição do Luiz Gê e do Arrigo Barnabé aconteceu online, em evento histórico reunindo esses importantes autores do quadrinho, da música.

Desde a última edição presencial, o evento organizava tais residências, em que artistas eram convidados a trabalhar juntos. Em 2018, os artistas eram Luli Penna, Marcello Quintanilha, Guilherme Caldas e Eloar Guazzelli. Agora em 2021, Luiz Gê e Arrigo animaram a residência à distância, e dela participaram Gabriel Góes e Fernando Nicknich, Grazi Fonseca e Rodrigo Stradiotto , Marília Marz e Silvanny Sivuca.

Na live acima, o Luiz Gê lembrou como ele antecedeu em muitos anos “aquele americano lá” que estava tentando produzir quadrinhos em plurileitura. Em “Oba Oba”, que faz parte da exposição da Bienal, ele pretendia uma obra aberta, com vários caminhos possíveis para a leitura. E o desafio posto para os artistas da residência foi justamente tentar pensar um quadrinho com percursos múltiplos.

McCloud (talvez aquele americano lá comentado por Luiz Gê) imaginou também há bastante tempo que o hipertexto, a internet, permitiram expandir a leitura para todos os lados. Além de Luiz Gê, o Verbeek já brincava com a reversabilidade da imagem em seus upside-downs, quem os oubapianos consideram plagiador por antecipação. Jason Shiga, por sua vez, elevou o jogo das múltiplas possibilidades de leitura a sua enésima potência com Meanwhile. Esses usos do espaço da página em direções contrárias parece algo bem específico dos quadrinhos, em que um mesmo conjunto de elementos justapostos permitem caminhos diferentes para se conduzir a leitura. Na escrita, podemos fazer uso de palíndromos ou acrósticos para ler o texto por seu revés, ou por entre as linhas, e talvez seja o mais próximo desse virtuosismo, além de autores que usam estratégias diversas para permitir a seu leitor pular ou voltar páginas. A especificidade do quadrinho é de não ser necessário repetir as letras ou se alterar posições para se indicar esses caminhos múltiplos.*

(Um autor desconhecido da grande maioria que também tentava brincar com essas linhas foi Amauri Pamplona. Bruno Azevêdo descobriu há algum tempo livros inteiros nunca publicados desse autor, que escrevia histórias como se desenha labirintos.)

E nessa brincadeira proposta pelo Luiz Gê, aconteceram usos bem diferentes da plurileitura. Marz e Sivuca criaram uma animação em que uma página reunindo rostos bem diversos ganhava movimento junto com a música.

Já em “Outro lugar”, de Góes e Nicknich, com personagem de Góes que apareceu anteriormente no Jornal Pimba!, temos uma narrativa bifurcada. Nicknich narra a história com áudio e música.

Os cenários do Góes são um evento à parte

Aí, por último, vem Fonseca e Stradiotto, que criaram esse jogo virtual, em que cada decisão de caminho pensado pelo leitor traz um tom sonoro diferente… (funciona melhor nos navegadores Chrome e Mozilla). Grazi Fonseca trabalha há algum tempo com desenhos minimalistas, como suas bolinhas de Partir. Aqui também há as bolinhas, mas a história impede qualquer partida.

Aproveitem as obras online, boa leitura.

* Sobre plurinarrativas, recomendo a pesquisa do colega Côme Martin, que tem artigos sobre o Meanwhile e outros. Em sua tese, Côme também comenta sobre o livro House of Leaves, que joga com a paginação para produzir leituras múltiplas.

(Agradecemos à Bienal de Quadrinhos de Curitiba, que convidou o Balbúrdia para a vernissage virtual da residência.)

Publicado por mckamiquase

Maria Clara Ramos Carneiro on ResearchGate https://orcid.org/0000-0003-2332-1109

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