[Prêmio Grampo] Como fazemos esse prêmio

Ramon Vitral e Lielson Zeni criaram o Prêmio Grampo no final de 2015, pensando em como reunir pessoas diferentes da cena dos quadrinhos e suas listas de melhores leituras do ano. Participo desde então do Prêmio, e passei a integrar o trio de organizadores no final de 2016.

Como pesquisadora, me importa bastante essa reunião de listas: que quadrinhos comovem ou movem nossos imaginários, o que os sujeitos elegem como boas leituras. Como pessoa, adoro listas, E o Prêmio Grampo nos traz essa grande dificuldade de enumerar essas leituras, colocá-las em uma ordem do que cada um acredita ser imperdível. Uma pequena angústia que nos leva a criar critérios individuais. Pela lista de cada um, é possível imaginar gêneros de que gostam mais e os possíveis critérios singulares.

Foi pensando em minha primeira lista que inaugurei a minha coluna de reflexões teóricas sobre quadrinhos.

O convite para os jurados mudou pouco nessas 5 edições:

A regra é simples: vale qualquer quadrinho lançado no Brasil entre 1 de janeiro e 31 de dezembro. Editores/autores/revisores/colaboradores não podem votar em obras publicadas/produzidas por eles ou com as quais tenham algum envolvimento profissional. Pode ser um número específico de uma série, pode ser webcomic, pode ser republicação sim, só não vale reimpressão. Entendemos por republicação ELEGÍVEL ao Grampo títulos que já tenham sido lançados no Brasil anteriormente, mas que apareçam em novo formato editorial (outra tradução, outro tamanho, minissérie compilada em volumes etc). Caso seu voto vá para uma série, é preciso especificar qual edição ou volume. Não é possível votar em partes ou encartes de publicações, apenas na obra que contém esse encarte ou parte. As listas devem ser entregues em formato de ranking, do 1º (melhor) ao 10º”. 

Ao mesmo tempo, as listas trazem um retrato dessa cena: o que se publicou, o que as pessoas leram. E essa cena é múltipla: temos autores se autoeditando, temos autores editados por pequenas, micro, grandes editoras, e também temos os editores, os revisores, os tradutores, os representantes comerciais, os lojistas. Ela só pode ser sustentável graças à cadeia de produção em que se insere. E para isso, como lembrou Douglas Utescher (Ugra Press), ano passado durante a premiação, muitas vezes o garantido, para a sustentabilidade das editoras, é apostar em obras já prontas, e na tradução. Um fator sustentabilidade que é inevitável, sobretudo em um momento de grandes crises para editoras. E como Ramon Vitral também lembrou ali, há de se destacar editoras que apostam em trazer obras importantes para nossa cena: Aqui, de McGuire, que já recebeu um Grampo, é uma obra importante e ao mesmo tempo experimental, e há de se validar o trabalho editorial de sua publicação em nosso país. E como escreveu hoje Ramon,

“O Grampo coloca lado a lado o independente e o best-seller, o nacional e o estrangeiro, sem distinção e a partir da validação de um corpo de jurados diversificado e representativo da área. E isso sempre esteve claro desde sua primeira edição.”

O retrato de uma cena, que é o propósito do Prêmio Grampo, envolve muitos agentes. A gente comentou mais no ano passado.

O Grampo é uma premiação feita, portanto, por essas vinte pessoas, organizada por dois sites dedicados a tentar aprofundar o comentário sobre quadrinhos, seja pela via do jornalismo (aquele de verdade: de procurar a informação, de entrevistar os atores da cena, que Ramon Vitral faz tão bem) ou pela via da crítica (que esse humilde bloguinho rareia, mas faz). Dois sites que nasceram do texto, e é no texto escrito que nos sentimos mais à vontade para argumentar ou divagar.

No aguardo do fim da quarentena para festejar esse prêmio. Os belos troféus desta edição vão ter que aguardar (bastante) pra ver a rua.

[Prêmio Grampo] Indicamos: entrevistas com os vencedores do Grampo 2020

Confira entrevistas com os três primeiros colocados ao Prêmio Grampo.

Emil Ferris, entrevistada por Carol Ito e textos de Ramon Vitral, que também a entrevistou.

Marcello Quintanilha por Carlos Neto:

Entrevista de Ramon Vitral com Adrian Tomine.

Mais sobre o Prêmio Grampo, você confere aqui.

[Prêmio Grampo] Prêmio Grampo 2020 de Grandes HQs – O resultado final: as 20 HQs mais votadas

O álbum Minha Coisa Favorita é Monstro é o vencedor do Prêmio Grampo 2020 de Grandes HQs. A obra da quadrinista norte-americana Emil Ferris publicada no Brasil pela editora Companhia das Letras e com tradução de Érico Assis consta em 14 das 21 listas dos jurados convidados do Grampo, tendo acumulado 118 pontos na contagem dos votos. O gibi vencedor ficou à frente de Luzes de Niterói (Veneta), de Marcello Quintanilha (68 pontos e nove listas) e Intrusos (Nemo), de Adrian Tomine (57 pontos e nove listas).
O top 10 do Grampo 2020 fecha com Aurora nas Sombras (DarkSide Books), de Fabien Vehlmann e Kerascoët (51 pontos); Silvestre (DarkSide Books), de Wagner Willian (48 pontos); Tabu (Mino), Amanda Miranda, Jéssica Groke e Lalo; Viagem em Volta de uma Ervilha (Veneta), de Sofia Nestrovski e Deborah Salles (46 pontos); O Alpinista (Escória Comix), de Victor Bello (41 pontos); Sheiloca (independente), de Lovelove6 (36 pontos); e O Obscuro Fichário dos Artistas Mundanos, de Clarice Hoffmann, Abel Alencar, Maurício Castro, Greg, Paulo do Amparo e Clara Moreira (33 pontos).
Com nove títulos mencionados entre as 81 obras listas nos rankings dos 21 jurados, estando dois deles entre os 10 primeiros colocados (Luzes de Niterói e Viagem em Volta de uma Ervilha), a editora Veneta acumulou 178 pontos, a maior pontuação no somatório geral de títulos por editoras. Responsável pelo lançamento do quadrinho na primeira colocação, Minha Coisa Favorita é Monstro, a Companhia das Letras somou 143 pontos. Com três obras listadas, a DarkSide Books ficou com 103 pontos. As quatro obras mencionadas da editora Nemo, incluindo a terceira colocada, Intrusos, somaram 86 pontos. O quinto lugar no ranking de editoria ficou a Mino, com 79 pontos.
Os rankings individuais de cada um dos jurados estão disponíveis aqui. Os 20 quadrinhos mais bem colocados na soma dos rankings e as demais obras listas constam a seguir.

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[Prêmio Grampo] Grampo 2020 de Grandes HQs – Os 21 rankings dos eleitores convidados

Foram 21 eleitores convidados para votar no Prêmio Grampo 2020. A regra era simples: cada um deveria enviar um ranking com seus 10 quadrinhos preferidos publicados no Brasil entre os dias 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2019 – incluindo republicações (títulos que já tenham sido lançados no Brasil anteriormente, mas que retornaram em novo formato editorial).

A regra de ouro era que os jurados não votassem em suas próprias obras ou naquelas em que trabalharam (edição, tradução, revisão, diagramação, paratextos, etc). O primeiro colocado de cada ranking recebeu 10 pontos, o segundo nove, o terceiro oito e assim por diante até o 10º, com 1 ponto. Foram 81 obras listadas. Os títulos mais citados e mais bem colocados no ranking geral foram divulgados aqui. A seguir, as listas individuais:

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Prêmio Grampo 2020 de Grandes HQs – Os nomes dos 21 jurados da premiação

O Prêmio Grampo 2020 de Grandes HQs já tem seus vencedores. Os três primeiros colocados, assim como todas as obras listadas e os rankings dos 21 jurados serão anunciados no dia 13 de abril (segunda-feira), a partir das 12h, nos blog Vitralizado e Balbúrdia. No post de hoje, revelamos os nomes dos jurados convidados a participar do Grampo 2020.

O Prêmio Grampo surgiu em 2016 inspirado na saudosa votação de melhores do ano do blog Gibizada, do jornalista Télio Navega, no jornal O Globo. Assim como ele fazia, eu e os editores do Balbúrdia, Lielson Zeni e Maria Clara Carneiro, convidamos várias pessoas envolvidas de diferentes formas na cena brasileira de quadrinhos a produzirem rankings com aqueles que elas consideram os 10 melhores títulos publicados no país no ano anterior. A ideia é que esse júri passe por mudanças pontuais a cada ano. Em 2020 há dois jurados que participam pela primeira vez da votação: o quadrinista Daniel Lopes e a jornalista Mariana Viana. 

Para a quinta edição do Prêmio Grampo chamamos um jurado a mais do que nos anos prévios, completando 21 votantes entre quadrinistas, editores, pesquisadores, jornalistas e lojistas. Então anote aí: no dia 13 de abril (segunda-feira), a partir das 12h, você encontrará aqui e no Balbúrdia os rankings individuais de cada um dos jurados e a lista completa com todos os títulos votados. Enquanto isso, apresentamos os 21 jurados de 2020:

Aline Zouvi [quadrinista, cartunista e pesquisadora];
Carlos Neto [jornalista e youtuber do Papo Zine];
Carol Ito [quadrinista, jornalista, pesquisadora e editora do Políticas];
Cecilia Arbolave [editora, jornalista, tradutora, curadora da Miolo(s), entre outros eventos e sócia da Lote 42, Banca Tatuí e Sala Tatuí];
Dandara Palankof [tradutora, jornalista, pesquisadora e editora da Revista Plaf];
Daniel Lopes [quadrinista e co-organizador da Feira Dente];
Daniela Cantuária Utescher [livreira, editora, curadora do Ugra Fest, entre outros eventos e sócia da Ugra Press];
Douglas Utescher [livreiro, editor, curador do Ugra Fest, entre outros eventos e sócio da Ugra Press];
Érico Assis [tradutor, pesquisador, jornalista e crítico];
Gabriela Borges [jornalista, mestre em antropologia e criadora do selo Mina de HQ];
Jéssica Groke [quadrinista];
Liber Paz [professor da UTFPR, quadrinista, youtuber, crítico, pesquisador e membro do Balbúrdia e do Kitinete HQ];
Lielson Zeni [editor, pesquisador, crítico e roteirista, membro do Balbúrdia];
Luli Penna [quadrinista e ilustradora];
Maria Clara Carneiro [professora da UFSM, tradutora, pesquisadora, crítica e membro do Balbúrdia];
Mariana Viana [jornalista e editora do perfil Fora do Plástico];
Milena Azevedo [roteirista, crítica e curadora de eventos];
Paulo Floro [jornalista e editor das revistas O Grito e Plaf];
PJ Brandão [pesquisador e produtor do HQ Sem Roteiro Podcast];
Ramon Vitral [jornalista, crítico e editor do Vitralizado];
Thiago Borges [jornalista, editor do blog O Quadro e o Risco e da revista Banda].

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