[Vem comigo] Quadrinhos rebeldes

Dentre as várias Newsletters de boa qualidade que acumulo na minha caixa de entrada “para ler depois”, a Outros Quinhentos é uma das mais antigas. Jornalismo altermundialista contra “a ameaça da ultra-direita” e almejando “o possível pós-capitalismo”, sempre com comentários, entrevistas.

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[Vem Comigo] Shelter

Aproveitando um raio de sol da cozinha, tentando me isolar enquanto barulhos de trocentas obras em volta do edifício parecem desconhecer o mal invisível que nos domina e o mal em pessoa que nos governa, abri ao acaso essa Métal Hurlant da Chantal Montellier. Edição em espanhol, encontrada por acaso em um sebo, um ano atrás.

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[Parlatório] Rafael Campos Rocha

Como já comentamos por aqui, venho coordenando um grupo de pesquisas na Universidade Federal de Santa Maria de análise e teoria dos quadrinhos, nosso GPQ. Aproveitando a virtualização das relações humanas no momento, desde março estamos nos encontrando semanalmente para ler textos teóricos que podem ser ferramentas para analisar histórias em quadrinhos. Os encontros virtuais permitiram participação de membros bem distantes no país, no planeta, e pudemos contar com alguns convidados especialíssimos.

À pedido da Profa. Márcia Carneiro, do Laboratório de Estudos das Direitas e Autoritarismos da UFF, convidamos nosso querido Rafa Campos Rocha para essa análise estética do surgimento dos super-heróis, em um encontro de 2 horas com muita coisa para pensar. Agradecemos ao Rafa e aos participantes dos dois grupos.

Palestra do artista plástico e quadrinista Rafael Campos Rocha sobre os primeiros quadrinhos de super-herói e as direitas. Reunião dos grupos de pesquisa Análise e Teoria dos Quadrinhos da UFSM (GPQ) e Laboratório de Estudos das Direitas e Autoritarismos da UFF (LEDA), coordenados respectivamente pelas professoras Maria Clara Carneiro e Márcia Carneiro.

Mediação de Lielson Zeni e Maria Clara Carneiro (GPQ e Balbúrdia).

Participação dos membros dos grupos Braziliano e José Manuel Silva

LIVROS CITADOS

– A História de Joe Shuster: O Artista por Trás do Superman, de Julian Voloj e Thomas Campi. Tradução de Marcia Men (Aleph, 2018)

– A História Secreta da Mulher-Maravilha, de Jill Lepore. Tradução de Érico Assis (BestSeller, 2017);

– Homens do Amanhã, de Gerard Jones. Tradução de Guilherme da Silva Braga e Beth Vieira (Conrad, 2006);

– Super-Homem e o Romatismo de Aço, de Rogério de Campos. Ugra Press, 2018;

– Capitão Britânia, de Alan Moore e Alan Davis. Tradução de Érico Assis (Salvat, 2015);

– Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons. Tradução de Jotapê Martins (Panini, 2017).

LIVROS DO RAFAEL CAMPOS ROCHA

– Deus, Essa Gostosa (Companhia das Letras, 2012)

– Deus aos Domingos (Veneta, 2018) – Kriança Índia 1, 2 e 3 (independente, 2019-2020)

– Lobas (Veneta, 2016)

– Magda (Companhia das Letras, 2016)

– O Golpe de 64, com Oscar Pilagallo (Três Estrelas, 2014)

– O Homem de Pijama 1 e 2 (independente, 2020)

– O Poder do Pensamento Negativo (Garabato, 2015)

LINKS Rafael Campos Rocha

https://www.instagram.com/rafaelcamposrocha/

https://gibicriticism.blogspot.com

https://www.facebook.com/rafaelcamposrocha.gibi

https://balburdia.net/2019/02/12/historinhas-plastic-man-e-a-ternura/

https://balburdia.net/2016/12/06/balburd-er-rafael-campos-rocha/

Informações sobre os grupos: maria.c.carneiro@ufsm.br sobre o GPQ e marciarrcarneiro@hotmail.com sobre o LEDA.

[A Consciência de Zeni] Os quadrinhos de FC no Brasil

Aqui no Balbúrdia a gente é muito ligado também à pesquisa formal, em ambiente universitário mesmo (eu, por exemplo, tô no meio do doutorado em Letras com tese sobre história em quadrinhos [o que eu uso como desculpa pra não aparecer muito aqui]). Nessas, vez ou outra pipoca artigos em revistas científicas.

No dossiê especial destinado a ficção científica da Abusões, revista da UERJ, saiu um texto meu sobre a publicação de quadrinhos de FC no Brasil. Dá pra ler ele aqui, além de muitas outras pesquisas maneiras em torno desse tema. O texto que escrevi é o único dessa edição que foca em analisar os quadrinhos e dedicado a entender um pouco a cena brasileira dos últimos anos.

O meu artigo faz um levantamento das publicações de quadrinhos no Brasil em 2017, 2018 e parte de 2019, e aos poucos, separo traduções de publicações nacionais, infantis de não infantis, de quadrinhos que lidam com o insólito dos que não lidam e, nesse processo, surge um panorama da cena brasileira.

Minhas bases de informação foram os sites das editoras que publicam quadrinhos costumeiramente, somado a Catarse e o glorioso Guia dos Quadrinhos. De saída, o que importa nesse tipo de abordagem é a tendência dos números, já que não tem como chegar a números totais.

OBS: a imagem da postagem é de um quadrinho de 2016 e não fez parte da pesquisa, mas eu gosto muito: Know Haole 4, de Diego Gerlach.

[Prêmio Grampo] Como fazemos esse prêmio

Ramon Vitral e Lielson Zeni criaram o Prêmio Grampo no final de 2015, pensando em como reunir pessoas diferentes da cena dos quadrinhos e suas listas de melhores leituras do ano. Participo desde então do Prêmio, e passei a integrar o trio de organizadores no final de 2016.

Como pesquisadora, me importa bastante essa reunião de listas: que quadrinhos comovem ou movem nossos imaginários, o que os sujeitos elegem como boas leituras. Como pessoa, adoro listas, E o Prêmio Grampo nos traz essa grande dificuldade de enumerar essas leituras, colocá-las em uma ordem do que cada um acredita ser imperdível. Uma pequena angústia que nos leva a criar critérios individuais. Pela lista de cada um, é possível imaginar gêneros de que gostam mais e os possíveis critérios singulares.

Foi pensando em minha primeira lista que inaugurei a minha coluna de reflexões teóricas sobre quadrinhos.

O convite para os jurados mudou pouco nessas 5 edições:

A regra é simples: vale qualquer quadrinho lançado no Brasil entre 1 de janeiro e 31 de dezembro. Editores/autores/revisores/colaboradores não podem votar em obras publicadas/produzidas por eles ou com as quais tenham algum envolvimento profissional. Pode ser um número específico de uma série, pode ser webcomic, pode ser republicação sim, só não vale reimpressão. Entendemos por republicação ELEGÍVEL ao Grampo títulos que já tenham sido lançados no Brasil anteriormente, mas que apareçam em novo formato editorial (outra tradução, outro tamanho, minissérie compilada em volumes etc). Caso seu voto vá para uma série, é preciso especificar qual edição ou volume. Não é possível votar em partes ou encartes de publicações, apenas na obra que contém esse encarte ou parte. As listas devem ser entregues em formato de ranking, do 1º (melhor) ao 10º”. 

Ao mesmo tempo, as listas trazem um retrato dessa cena: o que se publicou, o que as pessoas leram. E essa cena é múltipla: temos autores se autoeditando, temos autores editados por pequenas, micro, grandes editoras, e também temos os editores, os revisores, os tradutores, os representantes comerciais, os lojistas. Ela só pode ser sustentável graças à cadeia de produção em que se insere. E para isso, como lembrou Douglas Utescher (Ugra Press), ano passado durante a premiação, muitas vezes o garantido, para a sustentabilidade das editoras, é apostar em obras já prontas, e na tradução. Um fator sustentabilidade que é inevitável, sobretudo em um momento de grandes crises para editoras. E como Ramon Vitral também lembrou ali, há de se destacar editoras que apostam em trazer obras importantes para nossa cena: Aqui, de McGuire, que já recebeu um Grampo, é uma obra importante e ao mesmo tempo experimental, e há de se validar o trabalho editorial de sua publicação em nosso país. E como escreveu hoje Ramon,

“O Grampo coloca lado a lado o independente e o best-seller, o nacional e o estrangeiro, sem distinção e a partir da validação de um corpo de jurados diversificado e representativo da área. E isso sempre esteve claro desde sua primeira edição.”

O retrato de uma cena, que é o propósito do Prêmio Grampo, envolve muitos agentes. A gente comentou mais no ano passado.

O Grampo é uma premiação feita, portanto, por essas vinte pessoas, organizada por dois sites dedicados a tentar aprofundar o comentário sobre quadrinhos, seja pela via do jornalismo (aquele de verdade: de procurar a informação, de entrevistar os atores da cena, que Ramon Vitral faz tão bem) ou pela via da crítica (que esse humilde bloguinho rareia, mas faz). Dois sites que nasceram do texto, e é no texto escrito que nos sentimos mais à vontade para argumentar ou divagar.

No aguardo do fim da quarentena para festejar esse prêmio. Os belos troféus desta edição vão ter que aguardar (bastante) pra ver a rua.

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