[Vem Comigo] Helter Skelter

Um tempo atrás, em minhas andanças virtuais pela Amazon, dei de cara com um    mangá chamado Helter skelter, da Kyoko Okazaki. O livro reúne uma história que foi publicada seriada, entre julho de 1995 e abril de 1996, na revista japonesa “Feel Young”. E chegou aqui em terras brasilis no ano passado, pela editora New Pop, em uma edição de 320 páginas por honestos 25 golpinhos.

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[Vem Comigo] Tô Miró

Você já ouviu falar em Miró da Muribeca?

Não?

Tranquilo. Como dizem por aqui, é nenhuma.

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[Palankeria] Reflexões sobre o CONAHQ

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Nesse próximo mês de maio vai ser realizado o I Congresso Nacional Online sobre Quadrinhos – CONAHQ. Vê que ideia maneira: uma pá de gente que trabalha com quadrinhos, entre artistas, estudiosos, editores, etc., em palestras transmitidas pela internet. E totalmente na faixa, caros bacharéis.

O evento foi idealizado pelo artista paraibano Jorge Elô – que não só faz quadrinhos como também otras cositas más, tipo curtas-metragens e pinturas. Entre os participantes já confirmados, tem gente do gabarito da Aline Lemos (de Melindrosa, sobre quem o Pedro falou aqui um dia desses, lembra?), Luis Felipe Garrocho (Bidu: Caminhos, Quiral), Mariana Cagnin (Vidas Imperfeitas), Pedro Leite (Quadrinhos Ácidos), Thaís Gualberto (Olga, a sexóloga), Manassés (proprietário da quase mítica Comic House, em João Pessoa), Laura Athayde (Arquipélago), Marcelo Campos (Liga da Justiça, Quebra-Queixo, co-fundador da Quanta Academia de Artes) e Renata Rinaldi (que publicou vários histórias fodas nos gibis do coletivo Foca no Rolê). Promete, hein?

Temos hoje vários eventos voltados para as histórias em quadrinhos no Brasil, em maior ou menor estrutura, promovendo o meio pra toda sorte de público. Mas, logicamente, há uma parcela do público que ainda está longe deles: aquela que não mora nas cidades onde eles são realizados (faz tempo que Recife não tem um evento presencial do gênero, mas ouvi dizer que tem gente cuidando disso aê), para quem o deslocamento é difícil ou financeiramente proibitivo. Trazer esse tipo de evento para o ambiente da internet preenche a lacuna de incluir esse quinhão e cria mais uma grande oportunidade de ampliar o cenário brasileiro de histórias em quadrinhos. Uma proposta, sem dúvida, promissora.

MAS…

Daí quero abrir um grande parêntese, porque, apesar de considerar o projeto uma iniciativa maravilhosa, mais do que louvável, não acho que a gente deva se furtar à desconstrução das tensões que sempre hão de surgir, simplesmente jogando-as embaixo do tapete; então: Continue lendo “[Palankeria] Reflexões sobre o CONAHQ”

À esquerda

A equipe principal do Balbúrdia, um site sobre HQ, não consegue deixar de se posicionar sobre o que acontece politicamente no País. Acreditamos na política diária e que se espalha nos atos miúdos e singelos até nos mais eloquentes. A orientação do Balbúrdia é de esquerda e progressista, de luta constante pelos direitos de minorias. Não sendo jornalistas, nossa proposta não é a isenção, mas pelo contrário, o pessoal e particular que possa levar ao universal.

Isso esclarecido, nos posicionamos contra o impeachment da presidenta Dilma, contra a manutenção de Eduardo Cunha no cargo de presidente da Câmara de Deputados, contra discursos de ódio e de exaltação de torturadores. Internamente a equipe convive com divergências sobre o valor do atual governo (ela ainda está lá, a presidenta eleita) e gera sempre discussões saudáveis e de reflexão, com, pasmem, mudança de opinião. Sim, porque é possível repensar e mudar.

Vemos esse momento atual como uma manobra política da oposição para conseguir, esticando as regras, o que não conseguiu nas eleições; em miúdos, um golpelho. Não vemos crime legítimo de impedimento sendo cometido pela presidenta, mas vemos, sim, pesar acusações contra vários dos políticos que a caçam (com Ç mesmo).

Os manifestantes pró-impeachment diziam que primeiro ela, depois os outros. Queremos, embora duvidamos que isso aconteça.

A esquerda deve se preparar pra luta e pra isso deve se armar de informação e disposição pro debate, deve refletir e repensar. A história de quem pediu mudança nunca foi fácil, porque isso mudaria nesse país em que a desigualdade social é imensa (atenuada nos últimos anos pelas políticas sociais dos governos Lula e depois Dilma)?

A cultura é um valor fundamental nessa ideia de preparação e mudança, seja na liberdade de expressão (que é diferente do discurso de ódio), seja no poder de transformação de ideias ou ainda via o entendimento de que há manipulação de setores da sociedade por veículos da mídia mais preocupados com o bolso, com a manutenção dos mesmos esquemas, das mesmas estruturas alienantes e ultrapassadas, do que com os fatos.

Falamos de quadrinhos na maciota, mas de política falamos a sério.

Dandara Palankof, Liber Paz, Lielson Zeni, Maria Clara Carneiro, Paulo H. Cecconi, Pedro Cobiaco

[Palankeria] Notas sobre o Cynthiagate

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Pra começo de conversa, a despeito de meus bem conhecidos antecedentes, não tenho o intuito de instigar/prolongar tretas – ainda que eu esteja puxando um assunto de dez dias atrás. É só uma reflexão, mesmo – e o atraso foi justamente pra fazê-la, sem alimentar nenhuma flamewar. Talvez seja uma proposta de diálogo. Em última instância, sou eu abrindo o bocão (ou coisa que o valha) sobre algo que eu talvez não tenha compreendido muito bem – o que, convenhamos, nunca impediu nem a mim nem a ninguém de sair falando por aí, então, que seja. E como a questão como um todo me toca de forma bastante pessoal, então lá vai:

Lá nesses dez dias atrás, um repórter de uma revista aqui de Recife me procurou pra trocar uma ideia sobre as mulheres no mundo das HQs. Me mandou umas perguntas por e-mail, daí lá estava eu, fim de noite de um domingo, na frente do PC, respondendo as benditas. E a que mais me chamou atenção foi a última – algo sobre minha opinião a respeito de as autoras estarem resistindo a falar sobre o assunto. “Ué, sério?” Ponderei uns instantes e a resposta deve ter sido algo como “olha, nunca soube de algo assim, mas também deve ser chato sempre ser entrevistada como artista, mas nunca poder falar do seu trabalho em si.”

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