[VEM COMIGO] Transmetropolitan

Eu demorei pra descobrir Transmetropolitan. Talvez, se eu tivesse lido a série lá no final dos anos 90, eu tivesse uma outra impressão dela. Talvez, se eu fosse um geek ou se eu tivesse vivido os primórdios da internet, dos chats e das primeiras listas de discussão, se eu tivesse feito parte das listas de discussão de Warren Ellis… enfim, se eu tivesse vivido aquele momento, talvez eu tivesse uma outra impressão.

Mas eu só fui descobrir no ano passado (aliás, obrigado, Fernanda Chiella, por me contextualizar, 😉 ). O que dizer, então, pra pessoa que está chegando agora, como eu?

 

O primeiro grande lance de Transmetropolitan é seu protagonista, o repórter Spider Jerusalém, um careca tatuado cansado do mundo. Com uma personalidade cativante, caracterizada pela inteligência, cinismo, arrogância e uma tensão notável entre desespero crônico e perseverança inabalável, Spider conquista o leitor com sua perspectiva da Verdade, seja lá o que isso signifique. É um personagem cheio de contradições, bruto e romântico. Difícil não se apaixonar por ele logo nas primeiras páginas.

O segundo lance de Transmetropolitan, tão importante quanto o próprio Spider, é a visão, o interesse e paixão de Warren Ellis não só pela tecnologia, mas principalmente pelo modo como ela se relaciona com a sociedade e vice-versa. Não se tratava só de um exercício de especulação sobre o futuro, mas de pensar o tipo de sociedade, os tipos de relações, valores e culturas que temos hoje. Só que o Ellis faz muito melhor do que eu estou falando aqui e deixa a coisa viva, instigante, pulsante, louca e incontrolável. Tudo é muito absurdo, um bocado irreal, mas ao mesmo tempo é verdadeiro e próximo de um jeito que perturba.

Transmetropolitan tá sendo publicado pela Panini numas edições capa dura que deixam qualquer somelier de lombada de olhinho brilhando. Já foram 5 volumes e imagino que devem fechar agora no volume 6. Vale dar uma olhada com carinho.

2 comentários em “[VEM COMIGO] Transmetropolitan”

  1. Transmet é foda nem tanto pelo conteúdo político (que muitos acham manjado, porém se mostra necessário ainda mais hoje em dia do que nos 1990), mas principalmente pela quantidade de nonsense do mundo criado pelo Ellis. Fora o humor zibarro que já me garantiu algumas das minhas melhores gargalhadas lendo HQs.

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