[Vem Comigo] Floresta dos medos

Uma coletânea de terror, em que todas as histórias tem como cenário a floresta e o campo. Esse é Floresta dos Medos, de Emily Carroll (DarkSide, 2019, tradução de Bruna Miranda).

Emily Carroll reúne neste livro algumas de suas melhores histórias de terror, publicadas anteriormente na internet (inclusive, TEM OUTRAS HISTÓRIAS QUE NÃO ESTÃO EM FLORESTA DOS MEDOS). Os temas variam, mas se tratam de encontros com o desconhecido (e desconhecidos) e, por outro lado, como o terror pode estar debaixo da pele da pessoa mais próxima.

As lições de suspense que Carroll segue são aquelas aprendidas com autores referência, como Edgar Allan Poe e Shirley Jackson: situações estranhas em que os protagonistas sabem que tem algo de errado, e o leitor, por sua vez, vai na do protagonista e, no fim de tudo, todo mundo estava certo: tinha mesmo algo bizarro acontecendo. E esse saber do que se trata, essa antecipação, não tira a graça das histórias, pelo contrário, é o motor do suspense que chega até o leitor.

As histórias já seriam interessantes pela trama e pelo ritmo que Emily Carroll coloca no livro, mas isso é só uma parte do que torna esse material tão interessante.

Primeiramente, é um livro que tem uma vida de releitura muito boa, ou seja, ao reler Floresta dos Medos (seja no todo, seja alguns dos contos), há alguma coisa que chama a atenção do leitor e que antes tinha passado batido ou se mostrado menos valioso. Algumas das histórias que, em um primeiro momento, tinham me parecido menos interessantes e, até mesmo, piores do que as outras, em novas leituras se mostraram fortes (exemplifico com ” Ninho” e “Seu Rosto Todo Vermelho”).

O outro ponto é a narrativa gráfica e a arte visual que Carroll usa para contar as histórias. Entre elas há um predomínio de paleta de cor vermelha, que varia para amarelos e azuis de conto a conto, porém, a intensidade da cor não é regular e se ajusta ao que a história precisa.

A isso, une-se a composição da página, que traz para os quadrinhos certo valores e propostas da página de livro ilustrado, sem, porém, deixar de ser uma história em quadrinhos ou travar a narrativa para fazer uma página bonita. As páginas são, sim, lindas, mas trabalham pelo andamento daquilo que se conta.

Acho legítimo avisar que o livro foi lançado pela DarkSide Books, e que trabalho lá de editor-assistente. Em Floresta dos Medos, trabalhei nas revisões finais do livro.

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