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Eu realmente queria falar de uma das várias brasileiras que me inspiram, mas, como lojista do ramo, tem uma americana cujo trampo — dentro e fora das páginas de quadrinhos — me marcou profundamente: a Kate Leth. Primeiro conheci o trabalho dela pelas tiras do Kate or Die que saía de vez em quando pelo COMICS ALLIANCE. Daí descobri que ela trabalha principalmente como roteirista e fui checar alguns dos trabalhos dela que, na época, incluíam Adventure Time, Bravest Warriors e Edward Scissorhands. Foi quando me juntei às Valkyries que saquei que a Kate não fazia só tiras engraçadas e roteiros divertidos, mas que ela havia trabalhado em uma comic shop (como eu!) e estava promovendo mudança na vida de centenas de mulheres e também no mercado americano de quadrinhos. Explicando: o grupo THE VALKYRIES é composto por, nas palavras da Kate, “as mulheres atrás dos balcões de comic shops por todo o mundo. Proprietárias, gerentes, vendedoras, organizadoras de eventos e mais!”. Esse grupo (que recentemente alcançou a marca de 500 participantes) é um lugar seguro de apoio pra essas mulheres que trabalham nesse ambiente muitas vezes hostil e machista. É um lugar onde você encontra, além de um ombro amigo, dicas, sugestões, indicações, etc. E não para por aí: as Valkyries começam a ganhar relevância como uma força por trás das encomendas de comics e, portanto, gradualmente conquistam voz no mercado. Assim, junto de outras mulheres maravilhosas que ‘amadrinharam’ essa causa como a Gail Simone e a Kelly Sue DeConnick, defendem as mulheres que participam da cadeia de criação e consumo das HQs. Tudo isso sob a influência da canadense Kate Leth, que agora faz parte da equipe 100% feminina que produz Patsy Walker, AKA Hellcat! para a Marvel. Outro quadrinho incrível dela é Power Up, um “misto de Sailor Moon com Scott Pilgrim“, que sai pela IDW e é feito para todas as idades (e lida com questões de gênero e com um peixinho dourado que faz o papel de Magical Girl). Recomendo muito que todo mundo stalkeie o INSTAGRAM e o TUMBLR dela e que, principalmente, a apoie através do PATREON. É pura maravilhosidade.

AninhaAninha Costa, fundadora da Gibiteria e atual membro da equipe Mino.
www.gibiteria.com
facebook.com/editoramino

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Eu lembro quando descobri que o CLAMP era um grupo formado só por mulheres. Lembro da surpresa que foi essa descoberta e da satisfação enorme que veio com ela, porque eu sempre quis fazer quadrinhos. Na época, especificamente, eu queria fazer mangá. e vivia me perguntando onde estavam as mulheres mangakás, porque eu só conhecia um pouco do que chegava nas bancas. Descobrir que o CLAMP, justamente o grupo responsável pelos meus mangás favoritos, eram mulheres, não apenas me deixou feliz, me deixou com a certeza de que eu também poderia fazer quadrinhos.

Bianca

Bianca Pinheiro, autora de Bear, Dora e Meu Pai Era um Homem da Montanha
http://bianca-pinheiro.tumblr.com/
http://bear-pt.tumblr.com/

 

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lucy

Há muitas quadrinistas cujo trabalho eu admiro e sigo incondicionalmente, mas hoje em dia tenho de assumir que a LUCY KINSLEY é, provavelmente, a que mais me influencia – não necessariamente no traço, mas no caminho que gostaria de percorrer. Adoro a forma como o trabalho dela é simples e pessoal – consegue criar uma boa intimidade com o leitor, o que facilita a empatia com os quadrinhos. Temos idades bem próximas, então eu acho que é fácil rever-me em algumas das situações que a Lucy desenha. Gostava que, um dia, os meus quadrinhos conseguissem ser algo de tão sincero e pessoal, que fizessem eco emocional com os leitores sem deixarem de ser engraçados.

CarlaCarla Rodrigues, desenhista de A garagem de Kubrick.
http://cool-slayer.deviantart.com/
http://carlarodriguesart.blogspot.com.br/

 

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GuerreirasMagicasRayearth01_des

Minha maior influência nos quadrinhos não veio de apenas de uma quadrinista, mas sim de quatro! O grupo CLAMP, formado por quadrinistas japonesas nos anos 80, foi responsável por despertar em mim uma paixão por quadrinhos desde a minha adolescência. Antes de conhecê-las, eu achava que as HQs de ação e aventura eram sempre voltadas para o público masculino, até que uma amiga da escola me emprestou Guerreiras Mágicas de Rayearth e isso revolucionou meu mundo. Vi que quadrinhos de aventura podem sim ter personagens femininas como principais, e que elas podem sim usar armaduras maneiras e serem badass sem serem hipersensualizadas. Tudo isso com um traço de desenho delicado, ilustrações lindas e mascotes fofos. Era um quadrinho feito por mulheres para mulheres, e eu fiquei tão empolgada quando li, que comecei a criar minhas próprias personagens e histórias. Leio quadrinhos da CLAMP até hoje e elas serão sempre uma grande influência para mim.

CatharinaCatharina Baltar, aut0ra de Cerulean e participante do coletivo Mandíbula Quadrinhos.
www.behance.net/catharinix
www.facebook.com/catharinix

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Rumiko Takahashi foi minha autora de mangás favorita por um tempo, e com certeza me influenciou como desenhista. Embora tenha situações meio típicas de mangá shonen, Ranma 1/2 tinha um elenco de personagens femininas bem variado, só não lembro se passava no teste de Bechdel ou se só se falava do protagonista entre elas… mas foi divertido ainda assim (e na época eu não tinha consciência disso).

EikoCristina Eiko, autora da Graphic MSP Penadinho – Vida e de Quadrinhos A2.

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Eu sei que isso vai parecer muito óbvio, mas é a mais pura verdade: se um dia eu chegar a escrever um gibi, queria ser só 1/20 do que a ALISON BECHDEL é, e eu já estaria feliz.

Eu estava nos meus 20 e poucos anos, praticamente recém-saída do armário – e me perguntando porque diabos eu não tinha feito isso antes (ah, liberdade). Daí eu li Fun Home pela primeira vez: a narrativa tão profunda e tão sensível no processo de autodescoberta e autoanálise me lembrou o porquê. E era a primeira vez que isso acontecia – lésbicas em gibis? Àquela altura, já tinha visto algumas, mas de verdade? Uma porção de uma vida que tantas de nós vivemos. Mesmo não sendo o foco principal do livro, certamente foi tão impactante quanto.

Mas transformar esse processo em uma história cativante, de extrema minúcia na condução da linha narrativa, é para poucos. E ela faz isso como ninguém em suas duas graphic novels. Suas tiras de Dykes to Watch Out For, que conheci depois, são fantásticas no sentido da representatividade calcada em um leve sarcasmo, mas é nessas outras duas obras – Fun Home e Você é Minha Mãe? – que ela se torna uma artista de primeira grandeza. Uma contadora de belas, densas e pungentes histórias.

Se hoje eu sou essa racha orgulhosa, ela tem parte da culpa nisso. Obrigada, Alison. Te amo.

PS: gente, queria que pudesse citar mulheres DOS quadrinhos, só pra dizer que a Katchoo ainda é a mulher de nanquim da minha vida. Com uma importância na minha história e um espaço no meu coração de um tamanho que nem consigo mensurar. Katchoo, também te amo, não fica com ciúmes (meu coração é grande que nem eu).

DandaraDandara Palankoff, tradutora e pesquisadora de quadrinhos.

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Eu descobri os quadrinhos em 2010/11 por conta das mulheres quadrinistas. A primeira foi PÉNÉLOPE BAGIEU uma quadrinista francesa, logo em seguida GEMMA CORRELL, da Inglaterra e no Brasil a SAMANTA FLÔOR. Com elas finalmente entendi que quadrinhos eram um terreno muito mais abrangente do que se via nas bancas/livrarias/jornais e que eu poderia me expressar através deles.

FefeFefê Torquato, autora de Gata Garota, Estranhos e A.
http://fefetorquato.com/

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A BECKY CLOONAN, com certeza. Mesmo eu não acompanhando muito o que ela faz hoje em dia, tenho uma lembrança muito especial de quando eu li DEMO pela primeira vez. Foi o estalo de informação clássico “Peraí, quer dizer que existem mulheres que fazem quadrinhos… então eu posso fazer também!”. O traço dela me chamou atenção por fugir do estilo clássico de super-herói, tinha um pouco de mangá, mas com uma pegada punk na arte-final em nanquim..Era muito mais carismático pra mim, e além de tudo, ela era fã de metal, punk e cultura underground… Finalmente eu tinha encontrado uma mulher que também não achava necessário ser fofa ou se transformar numa Sailor Moon o tempo todo! Na época, eu acompanhava ela pelo deviantart , e ela até me enviou fanzines pelo correio uma vez, coisas de grampo e xerox mesmo, com adesivos e flyers de shows que ela tinha feito pra bandas locais e de amigos dela… Aquilo tudo refletia coisas da minha realidade em floripa, então era muito fácil eu me identificar. Ainda gosto mais dos trabalhos dela dessa época, como Demo e East coast Rising do que dos trabalhos mais recentes, mas eu curti bastante Killjoys e o Conan dela também (Aquela Belit é sensacional! ).

FernandaFernanda Chiella, autora em Guia Culinário do Falido e Maurício de Sousa por mais 50 Artistas
http://fernandachiella.tumblr.com/
http://supersynch.tumblr.com/
https://www.instagram.com/fereleufefa/

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Quando eu conheci o trabalho da LUCY KINSLEY, eu trabalhava numa empresa como desenhista de etiquetas para jeans, eu nem cogitava fazer quadrinhos – ou mesmo conhecia mulheres que faziam, e muito menos que existia esse mundo de quadrinhos autobiográficos. Passei muito tempo lendo os quadrinhos dela enquanto “trabalhava”. Eu fiquei meio obcecada com a honestidade e simplicidade dos quadrinhos – e, de certa forma, querendo também saber quais seriam os próximos capítulos da vida dela.

Não só admiro muito a coragem de compartilhar momentos tão íntimos da sua vida, mas foi sempre muito reconfortante para mim acompanhar a experiência de outra mulher desbravando os dilemas da vida adulta. Quem acompanha o trabalho dela viu ela terminando namoro/casando e recentemente anunciando a gravidez (tudo em quadrinhos lindos!) de uma certa forma ela virou uma “amiga” distante pela qual só desejo finais felizes. AH, e eu amo o jeito e a paixão que ela fala sobre comida. Por algum motivo doido do destino, eu tive chance de conhecer ela brevemente quando morava em Dublin – eu não cheguei a dizer para ela o quanto foi importante na minha vida e naquele emprego sem graça, mas acho que ter tido uma chance como essa foi o suficiente.

Giovana.jpgGiovana Medeiros, autora de Ana, Farofrance e Gidrinhos
http://www.giovanamedeiros.com/
http://gidrinhos.tumblr.com

 

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Minha autora guia é a Alison Bechdel. Tenho a maior vontade de fazer um trabalho denso como o dela; coisa que dificilmente vou conseguir nesta encarnação.

LaerteLaerte, autora de Piratas do Tietê, Laertevisão, Lola, a Andorinha entre outras.
http://www2.uol.com.br/laerte/

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Eu sou uma admiradora da delicadeza de ser e da delicadeza do traço da LU CAFAGGI. Desde que eu conheci a Lu e o traço dela, ela se tornou uma referência visual para mim, como artista e principalmente como pessoa. O desenho da Lu é tão lindo quanto ela, não deixando de trazer um ar de doçura o que nos ajuda a enxergar o mundo de uma maneira mais leve, mais bonita. A Lu arrasa e para mim é uma das melhores quadrinistas do Brasil.

LidiaLídia Basoli, fundadora e autora da revista Café Espacial.

http://cafeespacial.com/

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Errata: Por uma falha de comunicação do blog, a Mariana respondeu a uma pergunta um pouco diferente. Para que a resposta dela fique devidamente contextualizada, colocamos aqui a pergunta que foi feita originalmente:

“Qual quadrinista (mulher) ajudou/ajuda a te moldar como quadrinista?” Você diria quem e como essa autora/artista te influenciou.”

Foi em cima desta construção que a Mariana deu sua resposta. Grato.

Para falar a verdade, não tive quadrinistas mulheres na lista de referências mais fortes que me motivaram a produzir HQ. Pelo menos até agora. Gosto bastante do trabalho da Alison Bechdel, mas só fui conhecer recentemente, acho que em 2014, e não sinto que teve uma influência temática/estética tão grande quanto outros nomes – apesar da grande admiração que tenho pelo domínio que ela tem na cadência da narrativa visual. Podemos até dizer que talvez seja um tanto de preguiça minha – que pra achar o ouro dos quadrinhos é importante revirar sebos, internet, saber ler inglês e francês fluentemente, etc. Mas fato é que os quadrinhos que estavam realmente circulando, pelo menos à época que acessei os títulos que mais me moveram, não eram de autoria feminina. Alan Moore, Daniel Clowes, a série de Transmetropolitan, do Warren Ellis, Lourenço Mutarelli, Pedro Franz – são exemplos que me ajudaram nesse “molde”, que está em processo e acredito que ficará por muito tempo. Não acho que esse recorte de gênero também seja o que mais importa, mas a obra em si.

MarianaMariana Waechter, autora do recém-lançado Medeia (pergunta pra ela como comprar no inbox do Facebook)

http://marianawaechter.tumblr.com/

https://medium.com/@marianawaechter

Projeto Bill

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Bom, eu não consigo escolher uma. Meu pontapé para os quadrinhos foi a JILL THOMPSON, que eu conheci no FIQ de 2011 e ela me fez ver que uma mulher pode sim, produzir o que quiser e ser reconhecida por isso. E recentemente, a GAIL SIMONE me presenteou com elogios muito mais lindos que eu jamais sonharia em receber. Mas de uns anos pra cá, todos os dias eu tenho quadrinistas inspiradoras na minha vida, mulheres que correm atrás, que lutam, que provocam. Então quem me inspira de verdade, todos os dias, são essas quadrinistas colegas, amigas todas elas. Carol Rossetti, Bianca Pinheiro, Mariamma Fonseca, Fernanda Nia, Ana Koehler, Cris Peter, Ariane Rauber, Mylle Silva, Cris Eiko, Mariá Scárdua, Lu Cafaggi, Paula Markiewicz, Laura Athayde, Gabi LoveLove6, Lila Cruz, e muitas, muitas outras quadrinistas que eu só não coloquei aqui por não ter mais espaço, mas que estão no meu coração e me inspiram não só no trabalho, mas pelas mulheres incríveis que elas são.

Rebeca.jpgRebeca Prado, autora de Navio Dragão
facebook.com/incbeca

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A equipe do Balbúrdia pede desculpas e agradece.

Primeiro pedimos desculpas porque fizemos o convite muito em cima da hora. Entendemos que as convidadas disponibilizaram um tempo precioso de seu dia e que muitas não puderam participar justamente por causa do convite ter sido feito na véspera. Desculpa MESMO.

Justamente por isso, nós agradecemos de coração a todas as artistas que aceitaram participar desse post. Vocês são incríveis. Muito obrigado MESMO. ❤