[1, 2, 3… já!] Listas!

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Oficina virtual de quadrinhos potenciais

Coluna para difundir e motivar atividades Oulipo-oubapianas, em que todos possam participar enviando suas produções a partir das proposições.

Eu disse, na última coluna, que não paro de falar em Gerner. VENHA ME CALAR! Então, outra técnica que ele usa muito – e é queridíssima pelos oulipianos – é a confecção de listas.

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[Vem comigo] Fun Home – Alisson Bechdel

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Li o excelente Você é minha mãe?, da Alisson Bechdel, antes de ler Fun home. Eu já sabia da história, do tema, mas demorei mó tempão pra efetivamente ler o gibi.

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[Parlatório] Qual a quadrinista que te inspira?

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Eu realmente queria falar de uma das várias brasileiras que me inspiram, mas, como lojista do ramo, tem uma americana cujo trampo — dentro e fora das páginas de quadrinhos — me marcou profundamente: a Kate Leth. Primeiro conheci o trabalho dela pelas tiras do Kate or Die que saía de vez em quando pelo COMICS ALLIANCE. Daí descobri que ela trabalha principalmente como roteirista e fui checar alguns dos trabalhos dela que, na época, incluíam Adventure Time, Bravest Warriors e Edward Scissorhands. Foi quando me juntei às Valkyries que saquei que a Kate não fazia só tiras engraçadas e roteiros divertidos, mas que ela havia trabalhado em uma comic shop (como eu!) e estava promovendo mudança na vida de centenas de mulheres e também no mercado americano de quadrinhos. Explicando: o grupo THE VALKYRIES é composto por, nas palavras da Kate, “as mulheres atrás dos balcões de comic shops por todo o mundo. Proprietárias, gerentes, vendedoras, organizadoras de eventos e mais!”. Esse grupo (que recentemente alcançou a marca de 500 participantes) é um lugar seguro de apoio pra essas mulheres que trabalham nesse ambiente muitas vezes hostil e machista. É um lugar onde você encontra, além de um ombro amigo, dicas, sugestões, indicações, etc. E não para por aí: as Valkyries começam a ganhar relevância como uma força por trás das encomendas de comics e, portanto, gradualmente conquistam voz no mercado. Assim, junto de outras mulheres maravilhosas que ‘amadrinharam’ essa causa como a Gail Simone e a Kelly Sue DeConnick, defendem as mulheres que participam da cadeia de criação e consumo das HQs. Tudo isso sob a influência da canadense Kate Leth, que agora faz parte da equipe 100% feminina que produz Patsy Walker, AKA Hellcat! para a Marvel. Outro quadrinho incrível dela é Power Up, um “misto de Sailor Moon com Scott Pilgrim“, que sai pela IDW e é feito para todas as idades (e lida com questões de gênero e com um peixinho dourado que faz o papel de Magical Girl). Recomendo muito que todo mundo stalkeie o INSTAGRAM e o TUMBLR dela e que, principalmente, a apoie através do PATREON. É pura maravilhosidade.

AninhaAninha Costa, fundadora da Gibiteria e atual membro da equipe Mino.
www.gibiteria.com
facebook.com/editoramino

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[Com vocês] L.M. Melite: Em Espiral

EM ESPIRAL (OU O QUE É UM ROMANCE GRÁFICO?)

por L.M.Melite

Em uma de suas histórias, o escritor Harvey Pekar nos conta como conheceu o jovem artista Robert Crumb – isso quando Crumb ainda não era famoso no microuniverso da contracultura. Em determinado ponto da história, Harvey olha em direção ao leitor e diz:

“Os caras que fazem quadrinhos comerciais, com super-heróis e animais são muito limitados, porque têm que atrair as crianças. Os caras dos quadrinhos underground exploram outras coisas, mas ainda tem muita coisa que não foi feita. Existe um potencial enorme. Dá pra fazer com os quadrinhos a mesma coisa que se faz com romances, ou cinema, ou teatro ou qualquer coisa. Quadrinhos são imagens e palavras: com imagens e palavras dá pra fazer qualquer coisa!”

Pekar fala sobre HQ. Desenho de Crumb.
Pekar escreveu, Crumb desenhou.

Qualquer coisa?, eu me perguntava. Até mesmo um romance? Será que uma história em quadrinhos teria a capacidade e o potencial de me fazer sentir as coisas que os romances conseguiram? Será que as histórias em quadrinhos conseguiriam alcançar o nível de chatice de um romance?

Pra poder responder a isso eu precisaria pelo menos encontrar uma definição para o romance. Na internet havia muitas.
A mais popular delas é que o romance era um sucessor natural e um sepultador da epopeia. Uma outra é que se tratava especificamente do formato livro.
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[VEM COMIGO] Você é Minha Mãe?

Demorei, mas foi. Você é Minha Mãe?, da Alison Bechdel, entra naquela categoria extraoficial de gibis difíceis. Não é o difícil que traduz “para poucos”, elitista e pretensioso, mas que evoca o valor do empenho e da dificuldade em oposição ao simplificado. Eu senti coisas similares ao ler Here, do Richard McGuire, ou Building Stories (ou qualquer outro trabalho do Chris Ware), e esse empenho, sempre que feito com propósito, enriquece a obra e força o leitor a agir um pouco mais do que ser mero receptor de informações.

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Nesta última empreitada autobiográfica da Bechdel, ela analisa o relacionamento com a mãe, sua postura em relação ao suicídio do pai, e a maneira como tudo isso afeta o seu trabalho, suas interações afetivas e seu “eu” na fase adulta, tudo isso com um extenso estudo na psicanálise, na psicologia e na vida e obra de Virginia Woolf. Mas isso é só um resumo que não encapsula a obra. É só pra situar melhor você, leitor do Balbúrdia, sua coisa louca que deus fez.

Foi publicado no Brasil pela Cia. das Letras. Facinho de achar.