[Vem comigo] O Parricídio

A dupla Rodrigo Qohen e Beeau Goméz tinha feito a coletânea de HQs curtas Acid Jazz, que já tinha me deixado curioso pelo próximo trabalho deles. E na Bienal de Quadrinhos de Curitiba eles lançaram O Parricídio

.

De vez em quando aparece um trabalho desses, que me faz pensar bem nas palavras antes de escrever o comentário. O Parricídio é uma obra de narrativa obscura. Ao menos pra mim é. Reli as 56 páginas algumas vezes, parei em uma outra passagem, me dediquei ao texto ali, me empenhei numa imagem lá.

Já digo logo que reler uma obra é um prazer pra mim e uma história em quadrinhos que me instiga a releitura já sai com pontinho extra (infelizmente não temos nota, então esses pontos vão se perder entre borboletas).

A arte de Beeau parte de um realismo e encontra um elemento deformador no meio do caminho e essa deformação é toda a graça da coisa.

photo_2016-09-27_11-36-36

O texto do Rodrigo segue a estrada beatnik, com caronas a Roberto Piva (influência mais marcada) e poetas de versos longos de metáforas pouco prováveis.

Juntar isso diante com uma história de base freudiana, só podia dar em ruptura do óbvio, ainda que a custo da clareza. Mas quem disse que toda mensagem precisa ser clara e inconfundível? Essa incerteza que me guia pela página é a mesma incerteza que conduz o personagem Remi.

O Parricídio é quebrado com 3 títulos, sendo que o segundo me parece vir diretamente de desenho de observação de modelo. Se foi isso mesmo, acho muito massa o reaproveitamento de material na criação.

photo_2016-09-27_11-36-31

Essa segunda parte me faz mudar a orientação do livro pra vertical, o que se mantém na terceira parte. Gosto também da distribuição do texto: balão de diálogo na primeira parte; sem texto na segunda; palavras integradas à arte na terceira (e aqui o texto é vertical e arte horizontal).

A síntese é lisérgica. O encontro de tudo gera uma obra muito estranha, muito torta e, exatamente por isso, muito interessante. Tipo O Albatroz, do Baudelaire (acho que Beeau e Rodrigo vão gostar dessa referência), que voa altivo, mas parece deformado ao convés do navio.

(meu valeuzão pros autores que me presentearam com a obra. Viu, deu certo: virou texto aqui no blog)

Publicado por lielson

Francisco Beltrão (1980) - Curitiba (2000) - São Paulo (2011) - Salvador (2017) - São Gonçalo (2018) - Santa Maria (2019).

2 comentários em “[Vem comigo] O Parricídio

E o que você acha?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Vitralizado

Conteúdo aleatório justaposto em sequência deliberada

Vida Offline

Auto ficção

OutraCozinha

Comida é só uma desculpa pra falar do que nos mantém vivos

MONOTIPIA | MAG

Monotipia | revista digital

turgescência

maíra mendes galvão

MAKE MATTERS WORSE

How to improve the world

palavrasecoisas.wordpress.com/

Comunicação, Subculturas. Redes Sociais. Música Digital. Sci-fi

Blog da Itiban

alimente-se

Liberpaz's Blog

Just another WordPress.com weblog

comic books from brazil

comic books from brazil

Lugar Certo

Tudo está no lugar certo

balbúrdia

Falamos de quadrinhos na maciota

forumsocialurbano.wordpress.com/

De 22 a 26 de março de 2010

<span>%d</span> blogueiros gostam disto: