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Ontem eu encontrei os quadrinhos de Madeleine Witt e fiquei encantado.

Estava pondo em dia meu leitor de RSS (me julguem), quando o Isn’t Happiness (Tumblr de referências visuais) jogou Under the water na minha cara.

Eram só uns poucos quadrinhos, mas já me interessei pelo traço sem contorno, fundo simplificado e tema fantástico: a personagem acorda e tudo está debaixo d’água.

Clique aqui pra ler o quadrinho completo.

Fui no link pra ver mais e cheguei na história hospedada na revista virtual Guernica. Ela começa com dois versos de T.S. Eliot que me fizeram parar por um tempo:

The houses are all gone under the sea.

The dancers are all gone under the hill.

(o poema todo em inglês tá aqui)

A seguir, vem uma história em quadrinhos que usa muito bem a barra de rolagem e em que texto e imagem trabalham para produzir sensações. Claro que cada leitor vai criar sua conexão com as imagens poéticas de Witt e por isso a importância da barra de rolagem, que revela no ritmo de cada leitor o quadro seguinte.

(No meu caso, foi um terror encantado. Eu não sei nadar e a ideia de estar submerso me apavora. Ser cercado por água em todas as dimensões, sem saber onde começa ou termina e ainda ter de prender a respiração, pra mim, é apavorante.)

É inegável, porém, a tranquilidade com que a personagem lida com a massa de água, pois a morte e o renascimento é algo inescapável (por isso o batismo antes). E fui envolvido por essa mansidão.

O trabalho de Madeleine Witt é o que ela chama de quadrinho poético, com forte preocupação ambiental (a submersão em Under the water trata também do aquecimento global). Ela mantém Tumblr e Instagram atualizados, que eu recomendo visitar para conhecer outros materiais que ela produz.