[Editorialidades] UniQ, versão UFRGS

E não é que teve Balbúrdia na Universidade mesmo? Dois dos nossos balbúrderes (Lielson e eu) organizaram (junto do professor, roteirista e escritor Enéias Tavares) e participaram de um evento que aconteceu em Porto Alegre nos dias 9 e 10 de maio, o Universidade em Quadrinhos, também chamado de UniQ (confira a programação completa no final da postagem).

Abaixo reproduzimos o texto que compartilhamos no Facebook como modo de ressaltar nossa #gratidão a todas as pessoas que aceitaram participar do evento pois, além de conseguirem cavar espaço no seu dia a dia pra isso, acham importante valorizar o espaço de debate em uma universidade federal como a UFRGS. Foi um trabalho universitário, envolvendo equipe local da UFGRS, da do Departamento de Difusão Cultural, de professores, alunos e ex-alunos, professores da UFSM, um doutorando da UFRJ, pesquisadoras da Unisinos e das faculdades EST. E, como lembramos no evento, Música para antropomorfos surgiu de uma pesquisa universitária da UNB, e os participantes do evento comentaram sobre a relação de sua formação universitária ou de pesquisa independente com a produção de quadrinhos, do trabalho com quadrinhos e da pesquisa como trabalho. Vamos frisar: pesquisa é trabalho, arte é trabalho. Existem muitos empregos ligados às áreas da cultura e da educação, acabar com isso vai além de sufocar pluralidade de discursos, é também um impacto econômico.

O evento foi gratuito e todos os debatedores e convidados também cederam seu tempo, reflexões e conhecimento sem contrapartida financeira (vocês sabem dos cortes/contingenciamento/é corte que chama mesmo aplicados às universidades e institutos federais – e também a educação básica?). Todas essas pessoas entendem que a circulação de ideias e debate neste momento de projeto obscurantista é fundamental.

Essas ideias e debates apontam para vários lados, propõe diferenças e apresentam especialidades e aprofundamentos, que unidos, fazem uma malha coesa de conhecimento diverso, abrangente e dialógico. Algo que é completamente diverso do discurso único com certos e errados radicalmente demarcados, que leva a exclusão de quem ousar contestar o que se institui.

Tirar dinheiro de centros de produção de reflexão e debate é reduzir discussões e encontros, que reduz reflexão e que, por sua vez, reduz a resistência. Achamos que essa luta se trava nos discursos e enquanto pudermos discutir e trocar ideias em arenas públicas, resistimos.

Abaixo, o texto publicado no Facebook. Resistamos.

Na última semana (9 e 10 de maio), nós, do Balbúrdia (no caso Lielson Zeni e Maria Clara Carneiro), organizamos o 1º Universidade em Quadrinhos – Edição UFRGS, com o professor Enéias Tavares.


O evento foi gratuito, dentro de uma universidade federal e teve grande participação do público, o que nos faz acreditar que há, sim, muita gente interessada em debater histórias em quadrinhos por diversos enfoques. Sem querer, querendo, o programa dos debates se encaminhou em um percurso da produção à crítica dessa produção, começando por uma conversa com

a) roteiristas (Cesar Alcázar, Guilherme Miorando, JM Trevisan, Lobo e a mediadora Larissa Becko),

b) editores (Fabiano Duarte Denardin, JM Trevisan, Lielson Zeni, Lobo, mediados por Giovana Santana Carlos),

c) desenhistas (Bunda – Chanfle Papaco, Denny Chang, Mateus Santolouco, mediados pela também desenhista ALine DaKa),

d) pesquisadores de quadrinhos (ALine DaKa, Leonardo Vidal, Maria Clara Carneiro, Vinicius Rodrigues, mediados por Enéias Tavares).

No meio disso tudo, duas mesas dedicadas a obras específicas, em que dois debatedores entrevistaram os autores e analisaram suas obras: Matrimônio do céu & inferno de Enéias Tavares e Fred Rubim, da AVEC Editora conduzidos por Lielson Zeni e Társis Salvatore e Música para Antropomorfos de Fabio Zimbres & Mechanics da Zarabatana Books conduzido por Maria Clara Carneiro e Paulo Silveira.

Uma ação derivada do evento, a Exposição William Blake: O Matrimônio de Céu e Inferno, também gratuita, permanece na Sala João Fahrion até dia 10 de julho. Tanto a exposição quanto o UniQ contaram com apoio do Departamento de Difusão Cultural da UFRGS, sob direção de Claudia Boettcher, dos integrantes do Núcleo de Exposições DDC Ellen Hiromi, Gabriela Bernardes, Melissa Chassovoimaister e Rafael Derois, do CAL – Centro de Artes e Letras – UFSM (e nossos respectivos departamentos, de Letras Clássicas e Linguística e de Letras Estrangeiras Modernas) e da AVEC Editora.

Todas essas pessoas, organizadores, debatedores, artistas, pessoas de apoio da UFRGS e da UFSM, os alunos que vieram nos ajudar e assistir ao evento, o público externo que se inscreveu e ainda ajudou a divulgar, participando desde a criação do evento no Facebook e Twitter, vieram de boa vontade, sem nenhuma contrapartida financeira, e por isso agradecemos demais a participação de todos. (Tivemos a presença ilustre dos Quadrúpede e dos cartunistas Santiago e Edgar Vasquez). E agradecemos também ao trabalho do designer Henrique Carneiro, que desenvolveu nosso logo e nossa identidade visual.


A única coisa que os levou até lá foi a vontade pelo debate aberto, pela conversa, todos juntos nesse diálogo entre universidade e cidade, cidadãos.
A mostra que resultou desse conjunto é que o trabalho da cultura, da arte, e da pesquisa não são feitos individualmente. Aquilo que se faz na sala de aula ou se faz no ateliê tem mais relação do que parece à primeira vista. Seja no trabalho de criação que envolve várias etapas e várias pessoas, da confecção ao encontro com o público, seja no trabalho de pesquisa que depende do encontro com o trabalho do outro, e de leituras de outros, ninguém dialoga no vácuo, assim como a cultura não vem da criação expontânea: tudo vem do diálogo do que veio antes, do que está aqui, do que virá logo adiante.


Foi um sopro de esperança nessa semana bem difícil, e gostaríamos de frisar esse nosso nome: Universidade em Quadrinhos. A Universidade segue e seguirá sendo espaço de pesquisa, desenvolvimento humano, de encontro. Quadrinhos como essa forma em que texto e imagem se unem, mídia que tem relação antiga com a imprensa, com a difusão de informação e do debate, e reúne em si qualidades da literatura, das artes visuais – da propaganda, também –, produzindo cultura e fazendo parte cotidiana de nossas vidas.
Agradecemos a todos vocês que participaram. Temos muita sorte de poder participar disso.

Assinamos o texto: Lielson Zeni & Maria Clara Carneiro. E convidamos, junto com a UNE: dia 15 de maio, paralisação geral pela Universidade.

Arte de Caio Gomez, também topando o convite da União Nacional dos Estudantes

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