[Vem Comigo] Kriança Índia #1

Primeira edição de Kriança Índia #1, de Rafael Campos Rocha (Independente, 2019), uma espécie de resgate do gibi de banca.

Rafael Campos Rocha é o tipo de artista com trabalhos que seguem uma mesma linha, mas são bastante diversos entre si, como Deus, Essa Gostosa, O Poder do Pensamento Negativo, Magda e As Aventuras do Artista Contemporâneo. E, Kriança Índia, o quadrinho mais recente do cara não foge do esquema.

Todas essas séries têm em comum a radicalidade no conteúdo, (se quiser saber do que falo, procura o perfil do Rafa no Facebook [se ele não estiver suspenso por ter ofendido a direita brasileira]), o humor contundente, mas não escancarado, ponto de vista político evidente e posicionamento de batalha a partir desse ponto.

Aqui, uma criança nativa mata todos os invasores que possam ameaçar seu modo de vida e chega a montar um time de seres mágicos para ajudar a acabar com o homem branco.

Assim como em Deus, Essa Gostosa ou Magda, Rafael Campos Rocha cria um personagem que é diferente dele (homem de meia idade, branco), o tal trabalho da alteridade. Porém, esse personagem reage de forma muito parecida com o que o próprio Rafa propõe, que é a única forma possível de se resistir para ele: não pela luta, mas pelo ataque. O protagonista de Kriança Índia é um tipo de ameaça ao domínio branco no país que ataca primeiro, que escancara a não possibilidade de convivência.

Que eu saiba, Rafa ainda não partiu para o ataque físico com ninguém, mas suas propostas de resistência ao pensamento contra minorias e contra o conhecimento é bastante radical: gritar mais alto, bater mais forte.

A arte é preto e branca, com ações muito dinâmicas, para dar conta de roteiros que são bastante simples: extermínio do inimigo. Neste tempo em que atravessamos agora, o gibi do Rafa tá na mesma onda da grita do “bandido é bom bandido morto” e ele não acredita que a resposta que se deva dar para o outro lado é agir pela paz.

Nesse contexto, um indígena que, diferente das notícias de jornal, deixa de ser o passivo da violência muda para o ativo. E essa simples troca de lugar dá, sem dúvida, certa satisfação psicanalítica, mas também a necessidade de me posicionar em algum ponto da proposta de reação direta que o autor mostra.

Kriança Índia é em formatinho, está programado para ter 10 números e é das coisas mais divertidas que uma pessoa preocupada com alguém além de si vai ler. Se você é dos egoístas, vai se sentir ofendido e o Rafael vai adorar saber que você foi atacado pelo trabalho dele.

Para comprar, procure o Rafa no Facebook. Meu obrigadão ao autor pelo gibi.

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