[Vem Comigo] Alvorada em Quadrinhos

Pablito Aguiar, quadrinista e jornalista, vai pra rua de Alvorada, cidade da região metropolitana da Grande Porto Alegre no Rio Grande do Sul, para conversar com as pessoas e ouvir sobre suas vidas e, assim, construir um retrato da cidade em seu Alvorada em Quadrinhos (independente, 2017).

Quando penso em cidade, penso nas praças, ruas, prédios, casas, penso nesse nesses elementos urbanos, preenchidos de ônibus, trens, carros, motos, bicicletas, carroças, que andam e param, penso na fumaça dos motores e das fábricas que fazem o fundo cinza pra uma-duas árvores perdidas perto de uma esquálida sanga de água.

A leitura de Alvorada em Quadrinhos, de Pablito Aguiar, pega meu rosto entre as mãos e puxa meu olhar pro mais óbvio, mas que não é aquilo que eu enxergava primeiro: não existe cidade sem pessoas. São as pessoas que passeiam nas praças, trabalham nos prédios, ocupam as casas, andam de ônibus, embarcam no trem, pegam carona no carro, entregam mercadorias nas motos, se deslocam de bicicleta, trabalham nas carroças. Os veículos não param e arrancam, quem se move são as pessoas, que poluem, que lutam contra a poluição, que moram nas ruas, que andam pelas casas.

Com 4 páginas para cada entrevistado, com mescla de fotos e entrevista quadrinizada, Pablito consegue entregar algo muito revelador sobre Alvorada. Cada uma das pessoas com quem ele conversou tem um perfil e uma área profissional diferente, o que traz grande diversidade entre interesses, ações, palavras e posturas. Exatamente como uma cidade é.

É claro que os grandes centros urbanos criam bolsões de repulsão de pessoas, e as cidades acabam sendo mais adequadas a uns do que a outros, mas as pessoas acabam, com maior ou menor sofrimento, se impondo e as cidades aceitam a todos, pois o  agrupamento humano sempre vai pender ao múltiplo e diverso.

Alvorada é o que se chama de cidade dormitório, pois a maior parte de sua população trabalha em outra cidade da Grande Porto Alegre e retorna no final do dia para reencontrar a família e dormir, para no dia seguinte começar tudo de novo.

Mas como que 23 entrevistados podem dar a entender o local onde vivem mais de 200 mil pessoas? Porque a gente vai entendendo aos poucos e esses 23 são só o começo. Quem quiser mesmo saber como uma cidade funciona, tem que fazer o que o Pablito fez: ir pra rua e conversar com as pessoas, e quanto mais diferentes entre elas e de você, mais surgem novas perspectivas.

Nesses tempo bicudos e de massacre do diferente, o esforço pra compreender aquele que não é “você” é, mais que necessário, a possibilidade de continuarmos humanos.

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