[Vem Comigo] Paper Boats

Uma coleção de histórias curtas em quadrinhos, sempre ligadas a uma canção. Esse é o conceito de “Clube do Single”, do quadrinista Fábio Lyra, que tem como lançamento mais recente Paper Boats (Beleléu, 2018, inspirado em canção homônima do Nada Surf).

Fábio Lyra, mais conhecido pela personagem Menina Infinito – que já rendeu álbum (Desiderata, 2008) e “EP” (Beleléu, 2015) –  resolveu botar na rua seu “Clube do Single”, em que ele, inspirado por canções que curte, cria uma história em quadrinhos. O volume 1 da coleção foi The Concept (Beleléu, 2017, a partir da canção homônima do Teenage Fanclub).

[ouça aqui o Teenajão]

A ideia de “quadrinho indie” ganha extensão de sentido no trabalho de Lyra: além de trabalhar com uma pequena editora, que me deixa tranquilo em usar o termo “independente” pras publicações da casa carioca Beleléu, há a paixão do autor pela música independente.

E acho que é nessa junção que gosto tanto do trabalho do cara. Tenho impressão que ele narra histórias que vi acontecer (ou poderia ter visto), que me interessam diretamente, que soam pra mim como se um amigo me contasse passagens de sua vida durante uma visita a sebos. Histórias que me levam a ouvir aquelas bandas que amo e que venho ouvindo desde 2000. Aliás, segue uma lista de 10 bandas que ouvi até cansar na primeira década do século 21 (mentira, nunca cansei delas)

  • Radiohead
  • Morphine
  • Luna
  • Velvet Underground
  • Cat Power
  • Belle & Sebastian
  • ruído/mm
  • Pavement
  • Sigur Rós
  • Os Mutantes

Mas não são só as tramas, não. Me parece que a arte cheia de detalhes do Lyra é como se fosse ouvir aquela música do Sonic Youth no fone e tentar identificar a mudança dos timbres e efeitos de uma  guitarra, o ponto de entrada do outro instrumento.

Você pode passar pela ação principal dessa página como quem só se gruda na linha melódica principal de uma canção, mas se você parar pra ouvir os ruídos, encontra elementos que encorpam as ações principais e as tornam ainda mais valiosas, todos esses elementos, mesmos os menores se unem para criar aquela peça (musical ou quadrinística).

O desenho é em preto e branco com linhas firmes, massas de preto bem definidas, perspectivas e proporções naturalistas, com dinâmica e indicação de ação que é de história em quadrinhos, não, sei lá, de capa de disco. Por mais que várias bandas indies sejam associadas a sujeira sonora, ruídos e distorção, nesse ponto, a arte de Lyra vai para o outro lado. Há, sim, diversos elementos, mas o estilo é limpo, mais na direção de obra de estúdio do que da gravação ao vivo.

Ainda acompanha a minha edição (não sei se vai ter em todas, espero que sim) uma faixa bônus: um pequeno zine (16 cm x 5 cm), com tiras da série Stoned Teenagers From Outer Space. São histórias de adolescentes e seus problemas na escola, que querem matar aula, só que no espaço sideral. É uma espécie de jam entre Jornada nas Estrelas e Clube dos Cinco. O traço é o mesmo, mas o clima das histórias é outro. É quase como se fosse comparar o trabalho de banda de um artista com seu disco solo. É a mesma coisa, mas é diferente.

 

Agradeço à Beleléu pelo envio do quadrinho.

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