[Vem Comigo] Minha Coisa Favorita é Monstro – Livro 1

Uma garota monstro investigadora em Chicago no final da década de 1960, apaixonada por revistas de terror, que mantém um diário desenhado são as linhas principais que resumem Minha Coisa Favorita É Monstro – Livro 1, de Emil Ferris (Quadrinhos, na Cia., 2019, tradução de Érico Assis).

Várias coisas chamam a atenção nessa obra de Emil Ferris, é até difícil escolher por onde começar. Apesar de ser um tanto anticlimático, acho que vale saber que tudo que vai ser dito daqui em diante é sobre a primeira obra da autora.

Ferris estreia aos 57 anos de idade nos quadrinhos, com um calhamaço de 400 e tralalá páginas (chamado “livro 1” ainda por cima), depois de passar altos perrengues até desovar esse quadrinho – melhor do que eu contar é você mesmo ler essa versão autobiográfica de seis páginas que a Ferris fez [CLICA AQUI PRA LER EM INGLÊS].

O livro imita um caderno escolar da personagem Karen, que é uma lobisominha. É, então, o caderno que a Karen usa pra contar suas histórias, anotar o andamento da investigação que ela toca e desenhar as capas das revistas de terror que tanto ama. E a própria autora começou o livro em cadernos simples pautados e desenhou com caneta esferográfica (com o desenvolver do trabalho, que levou anos, Ferris abriu mão dos cadernos).

O desenho da quadrinista é o que imediatamente chama a atenção num primeiro momento, mas em uma segunda passada de olhos se revela como essa pessoa sabe narrar em quadrinhos. Sim, porque quadrinho tem disso: desenhar bem não garante ninguém como narrador visual competente e aí a Ferris vai lá e se banca de novo. E faz mais: o texto é bom.

Não tô falando da história que ela conta, que é mesmo muito massa (uma lobisominha que quer investigar se foi mesmo suicídio ou se sua vizinha de baixo foi morta, no final da década de 1960 em Chicago). A forma do texto de Emil é muito boa, há uma voz para Karen, uma para a mãe, uma para Anka e uma para Dezê, e tudo colabora para a criação de ambiente e do drama do livro. Há elementos de repetição e de mal entendimento de termos que geram duplos sentidos, por vezes cômicos, por vezes significativos.

Há ainda as toneladas de referências às artes visuais, reproduzidas em alta qualidade e caneta Bic dentro do livro. E essas referências fazem sentido para a história.

Minha Coisa Favorita É Monstro – Livro 1 é o tipo de obra bastante completa e por qualquer ângulo que você a aborde, há uma grande qualidade técnica, sem deixar que os mecanismos atrapalhem o envolvimento emocional com o material. E aqui queria lembrar mais uma vez: e esse é o livro de estreia dessa mulher.

Imagina só o que mais pode sair dessas canetas Bic nos próximos anos?

É preciso avisar, em nome da honestidade, que trabalhei na preparação de original do livro e que posso, a minha revelia, ter me empolgado mais com ele por ter me dedicado de forma laboral a ele. [Aqui você pode ler as primeiras páginas da edição nacional]. Agradecimento à editora pelo envio do livro.

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