[Vem comigo] A Ilha de São Galalau

Sempre fico orgulhosa com o André Valente, um grande amigo que fiz pela via do amor à técnica, à prática, ao jogo. Ele leva a sério os jogos Oulipo-oubapianos (aliás, maior colaborador do 1, 2, 3… já!, e foi ele quem desenhou meu BARTHEMAN, o Roland Barthes que usa capa, que dá nome à minha coluna mais ensaística). E ele vai elaborando seus próprios métodos para produzir boas histórias, recorrendo a referências múltiplas para produzi-las.

Pastiche, paródia e jogo, as coisas que mais me divertem parecem também ser o grande prazer criativo de Valente.

Paródia de Dilbert para a série Capitão América e seus amigos

E, além de tudo, um queridão, tanto que, nos tempos do “Quem bebe mais”, desafio proposto por ele a vários autores do já abandonado grupo “Quadrinhos autorais” no Facebook, ganhou de alguns de nós a alcunha de ❤ Val ❤ .

quem bebe mais.jpg

O “Quem bebe mais”, paródia do campeonato de braço de ferro de Ruppert & Mulot, reuniu uma galera boa que tomava muita água, café, e outros líquidos, numa partida engraçadíssima.

Como vocês podem perceber, o jogo está interrompido e Tiago Elcerdo aguarda a continuação ao lado de um boneco de pau que hoje se transformou em um fofíssimo menino nipônico. 

Quadrinhos, para ele, são tanto jogo quanto investigação, uma busca de resolver a história pela forma. Ou investigar um estilo, como o notório CSI Killoffer, capitaneado por ele.

A investigação em quadrinhos sobre as técnicas de desenho de Killoffer

Às vezes, brincando com o autobiográfico e projeções de vida, como suas aventuras com os filhos, sua visão pessimista de futuro como zineiro.

Mi proprio Macanudismo, HQ autobiográfica lançada pela Bebel Books (2017)

Aí, fico felizona em ver tanta gente compartilhando sua nova empreitada, a narrativa no Twitter misturando quadrinhos, enquetes e RPG. A Ilha de São Galalau dependia, para sua continuidade, de votação online, que foi criando um público cativo.

Uma ilha, um ser (esqueleto) solitário, tem que tomar decisões para sobreviver. Das coisas mais estapafúrdias, amizade por um caranguejo e uma cobra (Eduardo e Mônica).

[ 01 – S ] Você abre os olhos e acorda numa praia desconhecida. Você tem amnésia e não lembra de nada antes desse momento.

Captura de Tela 2017-10-27 às 19.36.15.png

E assim por diante. ❤ Val ❤ criou um moments com o início da história. O restante, dá para acompanhar por aqui.

O modelo da história é a de um grafo: são histórias com bifurcações, em que várias possibilidades que vão se cruzando, matéria prima dos livros de RPG e também de oulipianos (Un contre à votre façon, de Raymond Queneau, é o mais famoso, e já foi digitalizado algumas vezes. Jacques Roubaud reescreve há nos uma história labiríntica chamada Le grand incendie de Londres).

É uma história ativa, que vai sendo modificada em grupo. E dá para começar a lê-la de qualquer pedaço, o mais interessante é participar de sua criação.

O curioso, que só fomos saber pela entrevista que ele deu ao Raphael Salimena, que ele desenhava todas as possibilidades de cada questão… Até que isso foi ficando difícil, o público foi ficando mais exigente, e… ele acabou imobilizado, essa semana, por conta de uma inflamação no cotovelo.

Para quem só conhece A Ilha, sugiro passar também por seu portfólio. Lembrando que Congestionamento, seu zine produzido a partir da restrição de iteração, apresentada aqui no blog, se encontra nas melhoras livrarias do ramo (e na nossa mão).

Parabéns, ❤ Val ❤ , estimo melhoras. Esse é nosso post #200, com essa homenagem ao nosso mais fiel e criativo colaborador.

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