[Com vocês] Meus grampos, os do Érico Assis

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Érico Assis também explica suas escolhas para lista do Grampo 2017. Bora?

Meus Grampos

Fiz minha lista de 10 melhores HQs publicadas em 2016 para o Prêmio Grampo 2017. Acho que a lista não precisa de explicação, mas os Balburders disseram que o pessoal ia comentar suas listas por aqui. E me convidaram. E aqui estou.

Bom, talvez a lista precise de explicação, sim. O negócio é que, embora eu adore fazer essas listas, também acho uma dor. Ainda mais com um ranking, de 1 a 10. Gosto de uma coisa por causa de uma coisa e de outra coisa por causa de outra coisa, por isso acho bem complicado colocar uma coisa na frente de outra coisa. Mas era a proposta, eu topei, então não vou ficar choramingando.

Bulldogma ou Você é um babaca, Bernardo? Qual é “mais”? Uma delas ia para o topo da minha lista.

Você é um babaca tem a experimentação formal, que é uma coisa que sempre me pega. Tem o Alexandre Lourenço colocando todas aquelas sacadinhas da Robô Esmaga (sobre a qual já escrevi um prefácio) a serviço de uma história só e comprida, que dá para ler e se envolver várias vezes. Bulldogma também tem suas experimentações formais. Mas dentro de uma proposta mais retinha, embora nada linear, de construção da personagem (escrevi uma resenha defendendo isso).

Fui pela construção da Deyse Mantovani. E não escondo minha preferência pela bitola do Bulldogma, que dá um dois Babaca. Mas ainda te amo, Babaca. Num mundo sem rankings, os dois estariam lá em cima, juntos, se amando.

Não sei, realmente não lembro como organizei os classificados 3 a 9. São todas publicações que eu queria mencionar, que eu queria que entrassem ali por ene motivos.

Vou dizer que não gostei da publicação fanzinesca de O futuro. Pode ser fetiche, mas acho que merecia mais pompa. De qualquer maneira, ela também existe online. Tal como minha adorada Maia, também do Denny Chang, é uma HQ que eu adoro porque não entendo porque adoro. Não sei como ela consegue me provocar uma emoção naquela desconexão, naquela página dupla do cara de óculos, na sequência final que não é bem um final. Nem sei dizer que emoção é essa. Mas ela existe. Talvez não existisse antes. É por isso que eu gosto. Não sei?

Os Quadrinhos dos anos 10 do Dahmer, lidos assim em livro, na colada, são uma experiência única de timing e de síntese. É tipo assistir um episódio do Monty Python, mas cada esquete só pode ter 10 segundos (embora o humor não seja o estilo absurdo do Monty Python, então insira aqui outro programa de esquetes que gostar).

Coloquei a Fabio para registrar as miniexperiências formalistas tão brilhantes que Valente e companhia fizeram em toda a série, e meio um protesto por não ter mais. Estranhos me pegou muito de surpresa: tem ali alguma coisa de Chris Ware, uma coisa de apuro ferrenho para se manter na proposta narrativa e gráfica, que precisava entrar na lista. A mesma coisa das Quadradinhas, do Lucas Gehre: mesmo que eu não ache todas as tiras brilhantes (o que seria impossível na coleção de qualquer autor), as brilhantes são muito brilhantes.

Blitzkrieg, como eu disse ao próprio Bruno Seelig, é redondinha. É feita para o seu tamanho pequeno e consegue criar uma história interessante na sua brevidade. E tem o traço, o christopheblâinico traço do Seelig, daqueles em que dá vontade de morar. Queria muito que essa história virasse duas ou três, que virasse um álbum, que virasse o Bruno Seelig nas livrarias, só para se ter alguma coisa não tão difícil de comprar como Blitzkrieg (e que, por conseguinte, pouca gente leu). Parece que é nisso que o Bruno está dando um jeito.

Uma confissão: leio menos quadrinho traduzido do que deveria. São muitos casos em que já li antes (ui ui ui) e não me dou ao trabalho de ler de novo. Conferi a lista de lançamentos estrangeiros deste ano – inclusive as listas quilométricas da Panini – e achei poucas coisas que valiam a pena mencionar (tivesse eu lido ou não a edição brasileira). Nada do nível de um Pílulas azuis, por exemplo, quinto lugar no Grampo do ano passado e, com desculpas aos outros quatro posicionados, melhor coisa de 2015.

Choques futuristas está ali porque sou apaixonado, há anos, pela coleção do Alan Moore. E li de novo este ano, com bastante atenção, para escrever uma resenha. É início de carreira, é Alan Moore cru, mas aquela história do cara que inventa a máquina do tempo motivado pelo reflexo na taça de vinho é coisa de gênio eterno da espécie.

E o Spirou está ali, estrategicamente na décima posição, mais como símbolo. Adorei e adoro a coleção de álbuns franco-belgas que a Sesi-SP está lançando e tinha que citá-la ali de algum jeito. Diário de um ingênuo não é necessariamente meu preferido, mas é muito bom. Ainda não li vários da linha. O lançamento mais importante deles, Gus – que eu não sei se é de 2016 ou 2017 – talvez devesse estar ali, mas eu ainda não tinha lido (e agora já li, e é tão maravilhoso quanto da vez que eu li em inglês [ui ui ui]). É criminoso essa linha não se difundir mais. Vai que eles se animam e trazem mais Blain. E Sfar. E Manu Larcenet. E Marc-Antoine Mathieu. É tudo primo.

É evidente que eu não li tudo em 2016. Ainda não tinha lido a terceira colocada, Desconstruindo Una, quando fiz a lista (mesmo assim, acho que ela não entraria). Ainda não li Know-Haole, nem Fixação por Insetos, nem A Agência de Viagens Lemming (onde se compra esse troço?), nem Jane, A Raposa & Eu, nem Verões Felizes, nem mais um monte de outras coisas citadas pelo pessoal.

Acho que é evidente que todo mundo só votou no que leu. E ninguém, imagino eu, leu tudo.

Uma das regras do Grampo era não colocar na sua lista HQs em que você trabalhou. Ficou de fora, então, tudo que eu #traduzi. Agradeço a quem mencionou Repeteco, Ruínas, Reportagens e Os invisíveis.

Outra regra, essa bastante óbvia, era não citar obras estrangeiras. Para o bem ou para o mal, é o que eu mais leio. Só queria aproveitar a oportunidade para deixar minha listinha de melhor-melhor das importadas. Sem ranking, por motivos de: não quero.

Rosalie Lightning, Tom Hart (St. Martin’s Press)

Criminal 10th Anniversary Special, Ed Brubaker / Sean Phillips (Image)

Superman: American Alien, Max Landis / vários (DC)

New Construction: Two More Stories, Sam Alden (Uncivilized Books)

Panther, Brecht Evens (trad. Michele Hutchison) (Drawn & Quarterly)

Qualquer edição de Unbeatable Squirrel Girl, Ryan North / Erica Henderson (Marvel)

Scarlet vol. 2, Brian Michael Bendis / Alex Maleev

The Vision, Tom King/Gabriel Hernandez Walta (Marvel)

The Sheriff of Babylon, Tom King / Mitch Gerards (DC/Vertigo)

Omega Men, Tom King / Banaby Bagenda / outros (DC)

Sim, eu sou bem putinha do Tom King.

* * *

Érico Assis é tradutor e crítico de quadrinhos. Escreve n’A Pilha, no Blog da Companhia e por aí. Devia estar escrevendo a tese também.

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