[Parlatório] @hmmfalemais

Há alguns meses, o querido amigo Galvão Bertazzi encaminhou um perfil do Instagram com “piadas de divã”. Era o perfil Hmmfalemais, que hoje se aproxima dos 10 mil seguidores com piadas usando sempre uma foto retirada de bancos de imagens, texto em fonte bem simples de computador, sem balão. Feito diretamente para web, e invariavelmente contém a expressão “vsf po” como um refrão da conversa entre duas pessoas: terapeuta e paciente.

Mais aqui.

A cafonice das imagens típicas de stock, de ambiente clean, cheio de luzes, alguém sorrindo ou rostos sérios canastrões já indicam a ironia das tiras. Com a primeira postagem de agosto de 2020, no auge de um luto que não termina nunca, Hmmfalemais desdenha das estultices de uma classe média imediatista e desesperada por sua autoimagem.[*]

O humor de Hmmfalemais acompanha esse zeitgeist, revisitando um gênero clássico de humor. É curto, pontual e, bem, eu acho hilário.[**]

Eu não deveria me admirar que a tira surgiu como uma espécie de terapia entre amigos: matar o tempo com bobagem, selecionando imagens simples com texto feito de pedaços de conversas e diálogos internos. Feito por alguém que curte quadrinhos, mas não se arrisca a desenhar – e seja por timidez ou em prol de sua própria sanidade mental, mantém-se no anonimato – nessa entrevista, chamaremos o autor da página Hmmfalemais de « Dr. ».

No último ano, o Hmmfalemais foi um dos perfis no Instagram que eu mais procurei para ler e gargalhar. Me ajudou muito a resistir a não brigar na internet e mandar outras pessoas para terapia. Rir, por sinal… é… terapêutico. Então esses dias, percebendo que o autor anônimo seguia nosso perfil no Instagram, pensei: ora, por que não. Entrevistar isso aí. E aí vai a conversa.


MC – Aff vsf po, eu adoro tuas postagens (mas sigo pelo perfil pessoal) e agora fiquei sem jeito que você já seguia a gente aqui. Mas corrigi esse erro, pronto.

Dr. – Bondade sua. Acho que todo mundo devia me seguir duas vezes mesmo.

MC – Você toca demais na alma do brasileiro analisado.

Dr. – Tudo uma merda, né. Imagino que esteja pra muita gente. Um momento fácil de saber o que a turma tá sentindo.

MC – Conheci o teu perfil por amigos dos quadrinhos. Foi engraçado, porque há mais ou menos um ano atrás, a gente discutia sobre essa emergência de mandar todo mundo pra terapia, e falamos das piadas de analista. Então achava que fosse até alguém do grupo que tinha feito o perfil aqui rs.

E aí queria te perguntar coisas mais gerais, mesmo. Porque me interessa essa forma que você vem praticando aqui. Para começar, como foi isso de começar um perfil de humor no Instagram?

Dr. –A tirinha já existia como uma brincadeira com uma amiga, eu mandava pra ela por e-mail, depois de um tempo ela começou a mandar as dela também e a gente passou um tempão trocando. 

O perfil no Instagram veio durante o primeiro ano da pandemia, entediado em casa, arrumando coisa pra fazer e não ficar doido. Mas a gente fazia a partir de um template no Paint, só mudava o texto:

« hmmfalemais a GÊNESE do dr., só quem assina a newsletter já tinha visto… ».

Dr. – Esse.

MC – Ah, eu lembro desse! Aliás, existe newsletter mesmo ou era brinks?

Dr. – Não tem não, era piada. Quem sabe um dia. Se ninguém ler a culpa vai ser sua.

MC – Tudo bem, eu tenho duas mãos e todo o sentimento de culpa do mundo, mais uma coisa só vai validar meu transtorno de ansiedade generalizada.

Dr. – Qualquer coisa a gente arruma um horário pra você.

MC – Obrigada, dr.

MC – Então você não fazia quadrinhos antes, mas sempre consumiu quadrinho?

Dr. – Isso, nunca fiz, mas sempre gostei muito. Não sei desenhar, isso limita bastante. Aí dei um jeito.

MC – É muito interessante de fato usar uma limitação pra fazer um quadrinho. E justamente por isso, parece ficar mais cômico ainda.

MC – Muita gente já veio desabafar com o doutor no Instagram?

Dr. – Talvez não muita gente, mas já aconteceu, sim. Problemas pessoais, sexuais, questões sociais mais amplas.

MC – Você responde “vsf po” ou oferece acolhimento nesses casos?

Dr. – Eu ouço com atenção e depois chantageio as pessoas pra não divulgar as questões privadas delas.

MC – Muito inteligente, doutor.

Dr. – É a forma de monetização do perfil.

MC – Muito bem… Não sei se você acompanhou esses dias o desmascaramento de psicólogos do Instagram, o Dr. Pó de Morango com Baunilha e Influencer Estudante de Psicologia. Não tem medo de ser denunciado pelo CRP?

Dr. – Acompanhei o segundo com curiosidade, porque sempre pensei como é que a turma cai num negócio daqueles. O primeiro não sei quem é, talvez melhor não saber, né. Não tenho medo porque o doutor não quer seu dinheiro nem tirar as suas roupas, então não vai te meter esse tipo de papinho. A abordagem é PROFISSIONAL

MC – É o caso do technobloco, tinha a Rato Distópico, DJ Nikkase e o Psiquiatra tentando internar a mulher à força.

Dr. – Porra eu amei essa história. O que você faz quando tentam te internar duas vezes? Você para pra comprar cigarro, ué.

MC – Já tentaram te internar?

Dr. – Já, mas não aguentaram cinco minutos de trocação. Os inimigos são invejosos.

MC – E, aliás, você é antimanicomial ou aprova o internamento compulsivo de representantes do governo federal?

Dr. – Eu sou saudoso do tempo em que o Brasil não era um grande manicômio.

MC – Você acha que a gente está mais triste pela troca do modelo de loucura presencial para à distância?

Dr. – Pois é, não é saudável, é importante também contaminar as suas relações e ambientes com as suas neuras e traumas. E descobrimos que por Zoom não funciona tão bem porque todo mundo tá muito ocupado olhando pra própria foto pra conversar direito.

MC – Nossa, sim. Nas primeiras lives que mediei, lembro das pessoas preocupadas em interromper um ao outro. Timidez para tomar a palavra etc. Depois, em salas de aula, os alunos começaram a se esconder, enquanto nós, professores, falamos sem parar sem um retorno daquilo que foi entendido. Há um coito interrompido das conversas, e quando a gente encontra os amigos de novo, medo de tocar etc. Dr., será que a gente se cura desse trauma?

Dr. – Pode demorar, mas acho que sim, mesmo porque não foi tanta gente assim que ficou isolada, a gente pode ir tentando imitar os babacas pra pegar o jeito. Claro que com algumas cicatrizes, respondendo “pra você também” quando alguém te fala “obrigado” de vez em quando etc.

MC – Freud, Lacan, Yung, Winnicott… Quem se garante mais no soco?

Dr. – Uma coisa que eu tenho que sublinhar aqui é que eu não sei nada sobre nenhum deles.

MC – Nem eu, que escrevi Jung com Y.

Dr. – O que eu sei sobre Freud é o conhecimento público de que ele cheirava horrores e essa rapaziada curte arrumar uma confusão, então eu ficaria esperto.

MC – É engraçado o que você disse antes: fazer tiras de terapia para não enlouquecer. Funcionou?

Dr. – É difícil saber porque a briga bolsonarismo/pandemia X tirinha no insta é um tanto injusta. Mas acho que ajudou sim, até porque o pessoal começou a comentar, interagir, fazer piadas também.

MC – Por falar em enlouquecer, agora, você deve estar achando normal conversar com um macaco no Instagram.

Dr. – uma conversa entre um macaco e uma foto de estoque. É um prazer conversar com um macaco, você já viu os NFTs do Neymar? A imagem de macaco tá super em alta.

MC – Infelizmente, nossa cotação em bitcoin anda baixíssima, lucramos mais quando balbúrdia virou assunto. Mudando de assunto, li pela primeira vez o “reage, bota um cropped” no teu perfil.

Dr. – Isso aí é lobby claro da indústria textil, vai ver as estatísticas de venda de cropped no começo do ano. Tem que ficar esperta com essa galera.

MC – O companheiro aqui do lado [Lielson] pergunta se você costuma ouvir conversas de pessoas por aí para se inspirar ou é tudo vozes da tua internet?

Dr. – Eu só pego temas dos outros. Ouço as coisas na rua, na sauna, pego de mensagens de amigos. Aí junto tudo, faço uma piada de pinto aqui e ali, um “vsf po”. E tá pronto. A parte mais difícil é vencer a preguiça mesmo.

MC – Que fácil, né? Você não tem vergonha de lucrar views com a conversa dos outros?

Dr. – Não, porque eles me obrigaram a ouvir a bobagem deles.

MC – Tá certo.

Dr. – Ao meu ver, fica barato até. Dependendo do absurdo.

MC – Você acha que psicólogos, psicanalistas e psiquiatras fazem seus ouvidos de penico para ganhar a vida?

Dr. – Eu respeito muito a profissão, morro de dó da minha terapeuta, tenho certeza que ela se segura pra não me mandar à merda semanalmente.

MC – Ela sabe desse perfil?

Dr. – Eu mencionei, mas ela não se interessou muito. Uma pena, porque, na verdade, eu só queria um seguidor a mais. Pra colocar no press kit.

MC – Que triste uma terapeuta que não ri!

Dr. – Ela ri. De mim também. Raramente na minha frente, embora já tenha acontecido.  Certamente depois que a sessão acaba.

MC – É melhor pessoas rindo na tua cara com emoji, like etc?

Dr. – Sim. Quanto mais longe, melhor. Ri aí da sua casa. E rindo, afinal de UMA MÁSCARA DE DR.

MC – (Eu gargalho demais, sempre, quando te leio)

Dr. – Fico muito feliz, manda um áudio na próxima vez. Eu rio também, é a coisa mais idiota do mundo. Rir do que você mesmo fez.

Mas se não me faz rir, eu não posto.

MC – Tô gargalhando lendo aqui, e sinto muito que não consigo ser tão engraçada perguntando! Tem um quadrinho que eu gosto muito, do Calpúrnio, todo feito de bonequinhos. O Cuttlas, um pistoleiro no faroeste. Me lembrei desse porque também usa esses limites [as minhas queridas restrições, né, gente]. Você conhece?

Uso sempre o Cuttlas nas oficinas oubapianas!

Dr. – Não conheço! vou procurar aqui, você vendeu ele muito bem.

MC –  Esse tem publicado pela Zarabatana.

MC – E lembro sempre do Wagner e Beethoven também, não sei se você já conheceu, mas uma das nossas suspeitas é que você poderia ser o autor dessa outra série.)

Mais, aqui. O quadrinho era feito por Mauro Albano, que também desenha.

Dr. – Já me falaram isso e eu fiquei tão lisonjeado como impressionado com o desrespeito ao autor. Eu amava Wagner e Beethoven, de vez em quando me dá vontade de ler de novo. Pena que não existe há tanto tempo

MC – E quais mais autores te fazem rir, aliás?

Dr. – Eu gosto muito do Ricardo Coimbra, talvez o meu preferido [ouça nossa entrevista com ele!].

Gosto do Fi [Richard Bittencourt], do [Carlos] Panhoca.

Para ver toda, por aqui.
O Fi expressando o Mal do Século XXI.

Saudade do pintinho [da Alexandra Moraes].

Gosto daquele rapaz do Poorly Drawn Lines [Reza Farazmand].

Eu devo estar esquecendo um monte de gente e dei uma resposta ruim, mas é o que tem… Galvão Bertazzi!

MC – Foi ele quem me apresentou a página haha. Ai de você se não mencionasse, eu ia denunciar!

Dr. – se não fosse esse homem eu teria 50 seguidores. Queria aproveitar e mandar um beijo naquela boca gostosa dele.

MC – E que homem, né. O Fi fez isso agora de vender as cópias em nanquim dos desenhos que ele faz digital. Foi genial. Acho que você também poderia aproveitar o embalo e imprimir um livro desenhando por cima das imagens de stock, inclusive usando a marca d’água.

Dr. – Eu nunca pensei em fazer nada disso porque ainda fico impressionado com o “sucesso” da coisa toda. Também porque eu sou preguiçoso, claro. Haha.

Mas ainda é um negócio pra passar o tempo, contar umas piadas, mostrar pros amigos etc. Como assim livro. O Rafael Sica faz livro.

MC – Eu acho excelente isso de poder fazer alguma coisa que nos diverte sem precisar pensar em uma razão financeira pra isso. Apesar de que, claro, transformar as tiras em NFTs e apagar o perfil poderia ajudar talvez a ressuscitar o Freud em pessoa pra cuidar da tua cabecinha.

Dr. – Felizmente, a minha frutífera carreira de gigolô me permite fazer o insta só pela ARTE. Sem preocupações financeiras. Seria bom financeiramente, mas imagina a vergonha dos meus pais se eles ficarem sabendo que eu tô mexendo com NFT. Não teria coragem.

MC – Sim, e vai que te confundem com um perfil russo e apagam automaticamente toda a tua conta. É mais seguro investir em boca de remédios tarja preta. Droga Raia, Farmácia São João etc.

Dr. – Ou conselhos sobre masculinidade. Aproveitando o espaço aberto no mercado.

MC – Aliás, que conselhos você daria para homens cis hetero para turismo sexual de guerra?

Dr. – Um conselho seria guardar as história e impressões pra contar no bar com dress code e caipirinha a 39 reais. Outro seria sentar num míssil e acender o pavio, filho da puta. E não é feio o sujeito, né? isso que me deixa chocado.

Não é aquele incel clássico. Mas melhor não falar sobre isso. Que esse assunto vem me deixando meio assim, estou falando muito sobre isso.

MC – Aff dermleivre aquele pseudobrutamontes paulistano.

Dr. – Ah, mas tem quem goste. Não precisa arrumar mulher numa crise humanitária.

MC – Olha, espero que tua vida de psicólogo aqui seja longa.

Dr. – Provavelmente até eu ser cancelado. Enfim, obrigado pelo interesse. Quero ficar respondendo perguntas alheias com besteiras sempre.

MC – Você prefere deixar anônimo mesmo, néam? Acho que te mostro o textinho antes, se você achar que tem algo pra tirar etc.

Dr. – Prefiro.  Uma crítica pungente, a valorização maior do artista do que da própria arte (rs mentira até parece).

MC – Uma crítica para revelar o Gênio.

Dr. – A turma pede muito, pra eu “revelar” o “gênio”. Mas aí o Instagram derruba a conta…


[*] Não foi a pandemia que começou a nos adoecer, isso vem de antes até. Porque ao mesmo tempo em que a gente vem passando por profundas questões psíquicas, seja pelo alto consumo de tarja preta [Brasil alcançava picos de consumo de remédios para amolecer o ânimo e para dormir em 2019], seja a mistura pós-Temer + Guedes + Bolsonaro (que é o combo “capitalismo conduzido por idiotas”), ainda é preciso lidar com fortes tendências suicidas das pessoas querendo mandar todo mundo pra terapia – sim, a terapia virou uma panaceia que trata qualquer doença ou conflito. E uma desculpa também: não sou eu, é o meu CID (e também se passou a diagnosticar o Outro a qualquer movimento brusco).

Veja bem, trato meus problemas com análise e já até tomei remédios por muitos anos, e hoje ainda sou mais feliz pois alcancei a graça de ter a família inteira na terapia. Mas a medicalização compulsiva de todos os nossos gestos é sintoma de um mal coletivo, que parecemos tratar apenas como diagnósticos individuais. A emergência de sites e perfis listando “sintomas” deveria assustar mais do que confortar: é só lembrar o quanto a “saúde mental” foi utilizada como salvaguarda para ações autodestrutivas (e destrutivas do Outro)…

[**] Poucos sabem, aliás, mas o gênero “piadas de divã” foi inventado pelo próprio Sigmund Freud: devido a sua fascite plantar, o jovem estudante de medicina não conseguia se atrever na então nascente arte da Stehende Komödie. Dessa forma, passou a realizar diversas experiências em seu consultório, até descobrir que a melhor forma de entreter o público era fazer a pessoa falar de si mesma enquanto ele limpava um charuto ou taquigrafava listas de compras. A expressão inglesa “Freudian slip”, por sinal, embora muitos acreditem ter uma conotação sexual, como tudo o que ronda a obra do autor (em tradução literal, “o cuecão de Freud”), na verdade foi uma tentativa do médico austríaco de patentear todo e qualquer trocadilho. Graças a Woody Allen, que adaptou o gênero para o cinema, a arte da Divan-Komödie foi redescoberta e se disseminou pelo mundo.

No cartum e nos quadrinhos, o gênero é amplamente utilizado em jornais nova-iorquinos, cidade onde provavelmente existem 5 psicanalistas por habitante. É uma variante da ancestral “homem em uma ilha”, em que se verifica que homens continuam ilhados (ensimesmados) mesmo acompanhados de seus terapeutas. Enquanto as mulheres fazem terapia para suportá-los.

O mesmo Allen, por sinal, publicou tiras de terapia, com desenhos de Stuart Hample, O nada e mais alguma coisa, publicado pela L&PM e tradução do Ruy Castro (texto do Guilherme Smee sobre elas, aqui). No Brasil, além de muitas cenas de terapia entre quase todo autor de quadrinhos, a Lote 42 publicou A espetacular clínica da Monga, de Tai Cossich, em 2017.


Exercício!

Aproveitando a entrevista com uma página toda feita a partir de uma ideia mínima: a iteração de uma imagem fixa repetida, segue uma proposta de exercício [1, 2, 3… já!]: à maneira do Hmmfalemais, escolha uma imagem. Pode ser da imprensa, tua figurinha favorita do teu mensageiro favorito. É só repetir a imagem (e precisa ser uma imagem pronta, não vale desenhar) e mudar o texto.

Para ler mais sobre iteração, tem este post e este também.

Além do Hmmfalemais, segue a história em figurinhas, criada pela amiga Andressa Luz, que ficou apaixonada por essa foto que postei do Tessi, meu gato e do Lielson e resolveu transformá-la em uma sequência gráfica.

Depois manda pra gente, ou nos marque nas redessociais.

1, 2, 3… já!

Publicado por mckamiquase

Maria Clara Ramos Carneiro on ResearchGate https://orcid.org/0000-0003-2332-1109

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