[1, 2, 3… já!] A iteração como princípio

Oficina virtual de quadrinhos potenciais

Coluna para difundir e motivar atividades Oulipo-oubapianas, em que todos possam participar enviando suas produções a partir das proposições.

Iteração

 

Diz a lenda que Lewis Trondheim não sabia desenhar. Um de seus primeiros livros, portanto, foi feito a partir de um único bonequinho desenhado, fotocopiado, transformado em tiras de quatro quadros desse mesmo desenho. A mesma tira, repetida à exaustão, com apenas o mesmo desenho e textos diferentes, causou um efeito humorístico entre a variabilidade do texto e a imagem estática, que “ganhava” expressão em contraponto com o discurso.
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Le Dormeur, de Lewis Trondheim
(Outro livro dele com Jean-Christophe Menu, repetia quatro quadros em variadas combinações, produzindo um livro inteiro em que apenas o texto era trocado)

Repetir uma imagem à exaustão ou um mesmo texto alterando-se a imagem, cria efeitos diversos. É um recurso mínimo usado não apenas por autores oubapianos (vide o suspense criado pela estratégia em Louis Riel, de Chester Brown, o absurdo em The Angry Dog de David Lynch e até a representação da passagem no tempo na repetição de um mesmo ponto de vista em Here, de Richard McGuire). Alguns dizem ser a base mesma da história em quadrinhos, a retomada de um determinado elemento. A iteração, o fato de se repetir, é, na verdade, a base mesma de toda a escrita: a revolução do alfabeto teria sido a reduzir a apenas 26 caracteres a possibilidade de se criar qualquer discurso.
Observe, por exemplo, Angry Dog, de David Lynch. Publicado entre 1983 e 1992. Sem.pre.a.mes.ma.i.ma.gem. Cê tem noção do que é publicar por quase dez anos A.MES.MA.I.MA.GEM? Alterando só o texto? O cachorro louco era sempre introduzido com a explicação, sendo um cão preso dia e noite, e os diálogos vindos de dentro da casa o irritavam ainda mais. A loucura da espera, a loucura do tempo dilatado e circular, estagnado, cozinhando a fogo baixo…

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– Não… pelo menos não nesse presente momento.
Louis Riel, de Chester Brown (2006), abusa da iteração total e parcial de quadros, repetição de pontos de vista, criando efeito de suspense, o tempo que não passa ou passa devagar.
BD
Louis Riel, de Chester Brown

Por aqui, Os Malvados impulsionou as webcomics repetindo praticamente a mesma estrutura por milhares de tiras (e não estamos exagerando).

Por sinal, já me atrevi a fazer tiras assim, plagiando o OuBaPo por antecipação, bem antes de conhecê-lo…
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CRIAÇÃO

 

Uma narrativa à base de iteração 

É um recurso simples, minimalista: com pouca invenção, é possível fazer uma história inteira. E é isso que você vai tentar agora. Em 20 minutos, pensar uma tira ou uma página em que só um mesmo quadro seja usado. Ou o mesmo texto sendo repetido a cada quadro (interação textual).
Vamos lá?

1,

2,

3,

JÁ!

 
No aguardo da sua produção!

.

NA PRÁTICA

No último post, propus uma logo ou grafo-gincana. O André Valente e o Felipe 5 Horas nos enviaram suas produções. Você ainda pode – e deve – tentar se aventurar…

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Página produzida na grafo-gincana pelo André Valente

 

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Narrativa a partir da logo-grafo gincana por Felipe 5 Horas

4 comentários em “[1, 2, 3… já!] A iteração como princípio”

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