[Com vocês] Sérgio Chaves: listas são sempre injustas

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Queridos leitores. A gente está mais lento nas postagens, mas esperamos garantir qualidade. Por um triz, quase perdi esse texto do Sérgio Chaves, que tinha nos enviado há um mês, sobre o Prêmio Grampo. Mas antes tarde do que nunca! Aí, com vocês, Sérgio Chaves, editor da Café Espacial.
Beijos,
MC

É, a gente sabe. Não tem jeito, muita coisa boa fica de fora, mas considere como um ponto de partida para conhecer novas obras e olhares, certo? Certo.

Muito já foi falado sobre as obras que escolhi como as 10 melhores de 2017, então apenas apontarei o que me levou a escolhê-las. Diante de tantos lançamentos bacanas, meu critério foi o de não incluir republicações (convite do Balbúrdia possibilitava isso, sim)*. Claro que isso mantém de fora grandes obras como Ghost World (Nemo), Akira (JBC) e Black Hole (Darkside), que entrariam fácil numa listona geral, mas optei não incluí-las para ampliar a lista de novidades.

Pois bem, vamos lá:


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10. Rosa vermelha (Kate Evans, Editora Martins Fontes)
Pra começar a lista, minha escolha não se resumiu apenas à HQ em si, mas também à importância histórica que carrega. Aqui, Kate Evans retrata a trajetória e militância revolucionária da filósofa Rosa Luxemburgo, abordando suas principais ideias com uma HQ pesada em vários aspectos (inclusive pela grande massa de textos que pode incomodar em algumas passagens). Mas posso dizer que absorver esta obra em 2017 foi uma experiência bem significativa, considerando o retrocesso que ainda vivemos.

9. Moby Dick (Patrick Chabouté, Editora Pipoca & Nanquim)
Eu já tinha namorado a edição original, mas isso não me fez me encantar menos com o trabalho gráfico impecável da P&N, que é à altura desta adaptação de Chabouté. O clássico de Herman Melville ganha passagens memoráveis nas mãos do autor francês, possibilitando encantamento até mesmo para quem já conhece o original Herman Melville.


08. Já era (Felipe Parucci, Editora Lote 42)
Depois do excelente Apocalipse, por favor, Felipe chega com Já era, um calhamaço de 352 páginas que apresenta uma história repleta de crítica social e sarcasmo tão conhecidos em seu trabalho. Parucci mostra que sabe o que está fazendo, e que faz muito bem.


07. Estudante de Medicina (Cynthia B., Editora Veneta)
Muito mais que uma simples autobiografia, Cynthia apresenta uma HQ autêntica sobre um período de sua vida em época de estudante. Foi, sem dúvida, uma das leituras mais intensas que experimentei no ano passado.


6. Rugas (Paco Roca, Editora Devir)
Trabalho incrível que merecia uma melhor divulgação do que teve (acredito que tenha passado despercebido por muitos justamente por isso). Uma história tocante e envolvente, muito bem conduzida e ilustrada pelo espanhol Paco Roca. Inclusive, recomendo aqui um vídeo do PapoZine sobre ela.

5. Sem dó (Luli Penna, Editora Todavia)
Uma das melhores descobertas que fiz no ano passado. Quando peguei para ler, não tinha conferido nenhuma resenha antes e isso proporcionou uma grata surpresa. Luli apresenta uma narrativa envolvente, com ilustrações belíssimas e uma história incrível. Talvez seja a obra que mais recomendei recentemente pros meus amigos.   

4. Paciência (Daniel Clowes, Editora Nemo)
Clowes é um dos motivos de eu não incluir republicações nesta lista, pois provavelmente ocuparia outra colocação com Ghost World. Sempre que houver lançamento de Clowes no Brasil, provavelmente estará em minha lista.

3. Diastrofismo Humano (Gilbert Hernandez, Editora Veneta)
Gilbert Hernandez e Love and Rockets. Ponto.


02. Aqui (Richard McGuire, Quadrinhos na Cia)
Acredito que em algum momento todo mundo já se perguntou quantas histórias se passaram num determinado espaço, né? Bom, eu sempre, e foi por isso que considero Aqui simplesmente genial (ok, “genial” é uma expressão muito banalizada, mas bem 100% neste caso). Uma obra que me diz cada vez a cada nova leitura.

 

O autor e sua obra 🙂

01. Angola Janga (Marcelo D’Salete, Editora Veneta)
Com total domínio narrativo, D’Salete fez desta obra um verdadeiro clássico, se firmando, assim, como um dos maiores autores em atividade. Entraria fácil na minha lista de 10 melhores da década.

  • N. do Balbs: Podia uma nova edição publicada em 2017, mas não uma nova reimpressão.

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